Mercado externo dita a queda de juros

O economista Affonso Celso Pastore não tem dúvidas de que, se dependesse da conjuntura interna, os juros no Brasil teriam uma redução imediata. Porém, o cenário externo tem imposto restrições. Isso porque, se os juros nos Estados Unidos continuarem subindo, o Brasil não pode reduzir suas taxas. Ele perderia investimentos, o dólar poderia ficar mais caro e a inflação pressionada. Pastore avalia que o otimismo nos mercados mundiais devido aos últimos indicadores da economia norte-americana deve ser visto com cautela. Ele admite que algum ajuste esteja ocorrendo nos EUA, em função das elevações dos juros. Em um ano, foram seis aumentos, totalizando 1,75 pontos porcentuais. Mas adverte que a leitura desses sinais pode ser exagerada em relação à queda do consumo. O Copom olha para o FED e acompanha o petróleo Apesar do clima otimista do início de junho, Pastore considera cedo para decretar que o banco central norte-americano (FED) tenha encerrado o ciclo de alta dos juros. Ele alerta que, até que se tornem mais claras as reações da economia, a taxa de juros básica - Selic - deveria ser mantida nos atuais 18,5% ao ano. A alta dos preços do petróleo nos mercados internacionais, às vésperas da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), na próxima quarta-feira, tem chamado a atenção do Copom. Apesar de estar marcada para depois da decisão do Comitê, a reunião da Opep é importante, pois vai definir sobre uma possível elevação na produção do óleo, o que poderia reduzir a instabilidade externa. Caso o custo do petróleo continue pressionado, pode haver uma aumento no preço da gasolina, em julho, no Brasil. O impacto na inflação seria de 0,50 ponto porcentual, de acordo com Pastore. Ainda assim, o Índice de inflação ficaria dentro do limite fixado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) - 6% ao ano.

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