Mercado externo tem recaída e contamina Bovespa e dólar

Cenário:

CLAUDIA VIOLANTE , O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h08

Do rali do dia anterior experimentado pelas bolsas, ontem só restou a lembrança. O entusiasmo desencadeado pela linha de crédito de três anos ofertada pelo Banco Central Europeu (BCE) aos bancos da região, embora tenha superado em mais de 150 bilhões de euros as expectativas dos analistas, não aliviou os temores de um colapso de crédito e o mercado voltou a assumir posição defensiva. A percepção que ficou é de que o setor bancário europeu está bem pior do que se imaginava inicialmente. O setor de tecnologia também pesou, tanto na Europa como nos EUA. Com isso, faltou ânimo para reagir ao crescimento das vendas norte-americanas de imóveis usados bem acima do esperado, mas que trouxe uma revisão em baixa de 2007 a 2010. Para completar, durante o período da tarde a Hungria teve o seu rating rebaixado pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, o que ajudou o dólar a renovar o fôlego de alta ante outras moedas.

A Bovespa, que havia conseguido praticamente zerar a queda em dezembro na terça-feira, voltou a ampliar as perdas no mês, depois de trabalhar a sessão toda em queda, acompanhando o mercado internacional. O ritmo de negócios também já diminuiu com a proximidade das festas de fim de an0. O giro financeiro atingiu R$ 4,9 bilhões. O Ibovespa caiu 0,37%, aos 56.653,37 pontos.

Nos EUA, as bolsas, com exceção do Nasdaq, pisaram o terreno positivo na reta final do pregão. O índice Dow Jones subiu 0,03% e o S&P 500 avançou 0,19%. Contaminado pelo setor de tecnologia, após resultado trimestral abaixo esperado da empresa de software Oracle, o Nasdaq caiu 0,99%.

Como o IPCA-15 de dezembro, com alta de 0,56% ante 0,46% no mês anterior, não trouxe surpresas e, muito menos, permitiu aos analistas cravar se a inflação oficial irá ou não estourar o teto da meta em 2011, que é de 6,5%, o mercado de juros futuros buscou outros argumentos para mover-se ontem. O arrefecimento do IPCA ponta na coleta diária da Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi um dos itens que contribuiu para a devolução de prêmios nas taxas mais curtas. Além disso, a nova piora externa corroborou a queda das taxas. Agora, o mercado aguarda o Relatório Trimestral de Inflação, hoje cedo, para entender os motivos que levam o Banco Central a acreditar que a inflação ficará ao redor da meta em 2012.

Em meio a um volume de negócios mais reduzido devido aos ajustes de fim de ano, o dólar subiu 0,71%, para R$ 1,8560 no balcão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.