Mercado faz apostas para Selic de olho em NY

Hoje começa a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para discutir a Selic - taxa básica referencial de juros da economia -, atualmente em 18,5% ao ano. O anúncio só será feito amanhã, mas as apostas dos investidores devem se consolidar hoje. Nos últimos dias, os contratos futuros corrigidos por juros têm subido, confirmando as opiniões mais comuns do mercado: o Copom não deve cortar os juros, mesmo com a folga atual por causa das turbulências nas bolsas internacionais e das oscilações provocadas pela sucessão presidencial. E ainda não há previsão para o fim do nervosismo nos mercados.No campo internacional, há uma crise no mercado acionário norte-americano. Várias empresas fraudaram seus balanços e os investidores em suas ações estão colhendo os maus frutos agora, na forma de falências, concordatas e números inesperadamente decepcionantes. A reação mais comum tem sido tirar recursos das bolsas. Tanto em Nova York como na Europa, muitas bolsas estão operando em níveis abaixo aos do dia 21 de setembro, o mais pessimista depois dos ataques terroristas do ano passado.Para piorar, o vice presidente Dick Cheney está sendo investigado por fraude contábil e o presidente George W. Bush está sob suspeita de haver lançado mão de informações privilegiadas para ganhar dinheiro com a venda de ações da empresa da qual era sócio e diretor nos anos 90. Ou seja, apesar dos altos índices de aceitação entre a população em geral, os investidores se questionam se o presidente tomará as medidas necessárias para garantir as regras de funcionamento do mercado.Por outro lado, no Brasil, a candidatura do preferido dos mercados, José Serra (PSDB/PMDB), está em um momento muito difícil. Apesar da força do governo e dos dois maiores partidos no Congresso, não consegue se firmar nem no segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. O candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes, empatou com Serra e pode passá-lo já na pesquisa do Ibope que será divulgada hoje à noite. Além disso, Ciro vem conquistando apoio político relevante, principalmente entre o PFL, mas até no PSDB de Serra. E Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, segue tranqüilo em primeiro, com ampla margem em relação aos demais. Nos próximos dias será divulgado o resultado de uma pesquisa do Vox Populi concluída ontem.Na quinta-feira, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, encontra-se com Aloízio Mercadante, candidato ao Senado por São Paulo e figura-chave na equipe econômica do PT. Ambos devem discutir a possibilidade de um acordo de transição com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O petista já declarou que o partido aceita um acordo, honrará os compromissos estabelecidos e não promoverá nem criará as condições para um calote. Lula, no entanto, não aceitará submeter-se às regras rígidas do Fundo, o que se considera uma pré-condição para o acordo. Os mercados observarão essas negociações com atenção, já que um governo do PT disciplinado por regras rígidas de transição pode ser uma garantia para o medo que os investidores têm de Lula.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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