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Mercado faz uma leitura errada do Relatório do BC

O último Relatório de Inflação divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) teve caráter mais conservador e deixou dúvidas entre os operadores do mercado futuro sobre a queda da Selic para um dígito.

O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2011 | 03h07

A leitura do relatório apresenta um cenário, elaborado pelo Gerin (Departamento de Relações com Investidores do Banco Central), que, partindo de uma taxa Selic de 11% no último trimestre de 2011 e de 9,50% para o mesmo período de 2012, aponta para uma taxa de 10,35% no último trimestre de 2013. Ou seja, não haverá Selic de um dígito, como se acreditava.

Diante da perspectiva, assim colocada, de uma possível alta da taxa básica, o mercado futuro, que havia reagido à possibilidade de uma Selic de um dígito, voltou a crescer.

Essa reação do mercado não desaponta o Banco Central, que considera que uma taxa mais alta no futuro tem a vantagem de manter os juros atuais praticados pelas instituições financeiras, evitando o uso exagerado do crédito num período em que a inflação ainda precisa ser controlada.

No entanto, o mercado está fazendo uma leitura equivocada do texto do Copom. É preciso entender, antes de tudo, que as autoridades monetárias nunca iriam anunciar com antecedência qual seria a taxa Selic, que depende da evolução da conjuntura e, na realidade, de uma série de fatores.

O texto do Relatório de Inflação se refere a um cenário apenas, sabendo que o quadro real poderá ser bem diferente do quadro descrito. Nada autoriza a menor certeza de que os valores do cenário se verificarão.

O que é certo é que o governo não está inclinado a deixar de lado sua política de meta de inflação e, ainda mais, em alterar a meta central de 4,5%, que do seu ponto de vista requer bastante sacrifício para ser atingida. O governo gostaria de um superávit primário menor, para dispor de mais recursos para gastos.

Mas o que nos parece essencial é que o objetivo do governo é ter uma taxa real de juros pelo menos em torno de 4% ao ano, como na maioria dos países, e isso na medida em que uma série de fundamentos econômicos e, notadamente, a situação da política fiscal, permita perseguir uma taxa de juros considerada hoje como muito baixa. Na realidade, só no dia em que o governo aceitar reduzir a meta de inflação será possível chegarmos a uma taxa real de juros de 4%.

A nova equipe do Banco Central aceitou reduzir a taxa de juro básica, mas desde que verificou que medidas prudenciais tiveram um grande efeito.

O mercado tem de ser mais realista.

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