Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Mercado financeiro amplia oferta e acesso a fundos relacionados à sigla ESG

Somente nesta semana, Itaú, XP e Bradesco fizeram movimentos para diversificar leque de produtos no segmento

Ernani Fagundes e José Ayan Júnior, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2020 | 05h00

Na esteira do aumento da importância de questões relacionadas à sustentabilidade para o investidor, novos produtos chegam ao mercado financeiro. Somente ao longo da última semana, três grandes instituições financeiras – Itaú, Bradesco e XP – se movimentaram em torno de opções de aplicações relacionadas à sigla ESG (meio ambiente, sociedade e governança, na sigla em inglês).

Na quinta-feira, a Itaú Asset lançou o Itaú Momento Ações ESG – primeiro fundo da casa com gestão ativa dedicado a esses temas, com valor inicial de R$ 1. A carteira deverá ser composta por 15 a 25 papéis. 

Segundo Pedro Quaresma, gestor da família de fundos “Momento”, ações que de empresas focadas em sustentabilidade e governança têm um prognóstico muito positivo. Segundo ele, porém, o papel só entra na carteira se, além de ter boas práticas, a empresa for considerada investimento de bom retorno em potencial. “Esse portfólio é uma forma de unir retorno relevante ao longo do tempo e, ao mesmo tempo, estar com uma combinação de excelentes empresas no que diz respeito aos critérios ESG”, disse. 

Já a Bradesco Asset Management (Bram) reduziu o valor para entrada em dois fundos de investimento nessa categoria, com objetivo que levar esses produtos para o varejo: o fundo de ações Bradesco Sustentabilidade Empresarial e o fundo de renda fixa Crédito Privado Performance SRI 20. 

O primeiro fundo só estava disponível para investidores com R$ 20 mil, enquanto o segundo exigia um portfólio de R$ 1 milhão. Os novos valores são de R$ 500 e R$ 1 mil, respectivamente.

“Nós somos signatários do PRI (sigla em inglês para Princípios do Investimento Responsável) desde 2010, e desde antes, com nosso fundo de Sustentabilidade Empresarial (de 2007), já adotávamos exigências de governança corporativa e de práticas sociais e ambientais”, disse o presidente da Bradesco Asset, Ricardo Pereira de Almeida.

O executivo disse ainda que haverá redução da taxa de administração do Bradesco Sustentabilidade Empresarial de 3% ao ano para 1% ao ano, enquanto o crédito Privado Performance SRI 20, antes disponível apenas no private banking, virá para o varejo com taxa de 0,25% ao ano. “E vamos lançar dois fundos globais ESG, um de renda variável e outro de renda fixa, para ter também um robusto portfólio internacional para o investidor”, adiantou Almeida.

Dentro do conceito, a XP lançou o novo fundo multimercado Trend Lideranças Femininas, cuja carteira investirá em ações de empresas globais que valorizam a participação de mulheres em conselhos e na administração de companhias listadas. Segundo a líder de produtos ESG da XP Inc, Beatriz Vergueiro, parte das receitas com taxas de administração do fundo será doada para a formação de novas lideranças femininas em parceria com o Instituto As Valquírias. “O investimento social maior dependerá do sucesso de captação do fundo”, explicou a executiva.

Padronização

Questionado sobre a concorrência na “onda ESG” no mercado brasileiro, o executivo Marcelo Nantes, superintendente executivo da Bram, disse que o movimento é positivo para o investidor pessoa física, mas exige atenção. “O lado negativo é que ainda não existe uma padronização. Tenho receio de que alguns gestores que não tenham muita afinidade com o tema entreguem um resultado que não é esperado e isso possa deteriorar a imagem do produto”, afirmou.

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