Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mercado financeiro busca explicação para o baixo Ibope de Aécio

Analistas de instituições financeiras  dizem que tucano não decolou após protestos por ser parte do 'establishment'

Fábio Alves, da Agência Estado,

26 de julho de 2013 | 13h12

SÃO PAULO - O que se mais comentou no mercado financeiro após as últimas pesquisas de opinião foi o fato de o senador Aécio Neves (MG), possível candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, não ter decolado nas intenções de voto após as manifestações populares de junho, ficando bem atrás até da ex-ministra Marina Silva.

 

Por que Aécio não conseguiu herdar o espaço perdido pela presidente Dilma Rousseff nos índices de popularidade com a insatisfação das ruas?

 

Um influente investidor brasileiro argumenta que o PSDB ainda não propôs algo que possa distanciar Aécio "do que está aí" e dar uma real perspectiva de melhora.

"É o partido com melhores condições para fazê-lo - quadros e apoiadores intelectuais e no empresariado. Mas precisa correr. Aécio acha que o timing da eleição é mais lento do que o do mercado financeiro. Mas o 'tempo' das ruas se acelerou desde junho", disse o investidor.

 

Pesquisa Ibope Estadão. Na pesquisa de opinião realizada pelo Ibope, em parceria com o jornal O Estado de S.Paulo, divulgada no dia 18, no cenário com quatro andidatos a presidente Dilma Roussef teve 30% das intenções de voto estimuladas, contra 22% de Marina Silva (sem partido), 13% de Aécio Neves (PSDB) e 5% de Eduardo Campos (PSB).

Comparando esse resultado com a pesquisa feita em março, Dilma tinha 58% da intenção de voto estimulada, enquanto Marinha tinha 12%. Aécio ganhou 4 pontos porcentuais, pois em março ele recebeu 9% das intenções. E Campos tinha 3%.

 

No dia 16 de julho, conforme pesquisa realizada pela Confederação acional dos Transportes, Dilma aparece com 33,4% das intenções de voto, Marina Silva com 20,7%, Aécio Neves com 15,2% e Eduardo Campos com 7,4%.

 

Establishment. Para o investidor, as manifestações populares devem ser interpretadas como um descontentamento contra "tudo o que está aí", ou seja, o  establishment". Para ele, nos últimos 20 anos, o establishment político é representado pelo PT ou o PSDB. "Então, é difícil Aécio sair como o beneficiário (dos protestos populares)", disse o investidor.

Para o investidor, Marina Silva, que ainda tenta viabilizar o seu partido, o Rede, está sendo percebida como o "novo", portanto, claramente a beneficiária dos protestos. "Entre outros motivos, porque nunca foi testada, então mantém o poder de vender a ilusão de que pode fazer diferente do que está aí", acrescentou.

 

Uma experiente executiva do mercado financeiro, ao fazer uma avaliação dos resultados das últimas pesquisas de intenção de voto, ponderou que Aécio nunca concorreu, não fez campanha, não se expôs nem foi anunciado como candidato oficial.

"Então, ele está até bem na pesquisa para quem não fez nada ainda", disse a executiva. "Quem lê o jornal é só a elite, ninguém sabe quem é a oposição. Veja na pesquisa espontânea. A Marina já concorreu antes então tem a memória dela que fica", disse a executiva de um grande banco. Nas eleições presidenciais de 2010, então candidata pelo Partido Verde (PV), Marina ficou em terceiro lugar no primeiro turno com quase 20 milhões de votos.

 

E quem tem hoje chances reais nas eleições de 2014? "Acho que qualquer candidato tem chances hoje em dia com o cenário de piora econômica, principalmente do mercado de trabalho", disse a executiva.

 

Para outro interlocutor do mercado, o governador pernambucano Eduardo Campos não está fora do páreo. "Campos é novo para o País, não tanto para Nordestinos, então se beneficia mais por estar se saindo um pouco melhor do que os outros em entregar resultados", comentou. Conforme pesquisa CNI/Ibope, divulgada ontem, Campos foi o governador mais bem avaliado entre os 11 Estados da sondagem. Campos teve gestão avaliada como ótima ou boa por 58% da população do Estado.

 

Plataforma política. Teria então Aécio Neves que apresentar uma plataforma de governo concreta o quanto antes para conquistar uma fatia maior do eleitorado?

 

"Acho que está cedo para qualquer partido apresentar uma plataforma", disse a executiva financeira. Segundo ela, as eleições são daqui a 15 meses, assim quanto mais cedo um candidato se expõe, mais ele pode ser "queimado". O mais apropriado, conforme ela, é apresentar uma proposta mais concreta na virada do ano.

"Sempre foi esta a estratégia que os partidos e candidatos adotaram. Mesmo Dilma não foi anunciada (como candidata oficial) com mais de um ano de antecedência. No inicio do ano de 2010, ela estava com um dígito nas intenções de voto", explicou a executiva. Assim, segundo ela, não adianta querer antecipar um debate que todos têm a perder.

 

Historicamente, a campanha eleitoral à Presidência no primeiro turno tende a ser mais pulverizada do que polarizada entre PT e PSDB, observou um interlocutor desta coluna. Contudo, na reta final, a estrutura partidária e o tempo de televisão ajudam bastante - e PT e PSDB têm larga vantagem nesse aspecto.

 

Poderá Aécio conquistar mais espaço e ultrapassar Marina Silva, disputando o voto com a presidente Dilma?

 

"Se conseguirem (líderes do PSDB) montar uma mensagem que envolva a população, a polarização pode voltar", resumiu o investidor brasileiro. Para isso, é necessária uma plataforma econômica capaz de recolocar a economia brasileira no caminho do crescimento mais acelerado, dinâmica na qual o País estava até o fim do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva.

* Fábio Alves escreve para o Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado

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