FABIO MOTTA/ESTADÃO/DIVULGAÇÃO
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Mercado financeiro dá benefício da dúvida a Bolsonaro, dizem analistas

Investidores preferem incertezas quanto ao governo do candidato do PSL ao projeto já conhecido do PT, com maior Estado

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 15h31

O comportamento do mercado financeiro nos últimos dias, com a valorização do real e a alta da Bolsa diante do fortalecimento do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas eleitorais, reflete a preferência dos investidores pelas incertezas que ele representa ao projeto já conhecido do PT, segundo economistas e analistas financeiros.

“O mercado dá o benefício da dúvida para o Bolsonaro muito por causa do discurso econômico liberal, de redução do tamanho do Estado e de ajuste, do Paulo Guedes (responsável pelo programa econômico de Bolsonaro). Para o Fernando Haddad (PT), não existe esse benefício”, diz o estrategista-chefe e sócio da XP Investimento, Celson Plácido. “O mercado está se apegando ao candidato mais liberal. É isso que o mercado, na sua grande maioria, deseja”, acrescenta.

Segundo o economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria, trata-se de comparar as opções com maiores chances de chegar ao segundo turno. “De um lado, há a volta do PT, cujos governos foram extremamente mal avaliados. Do outro, pode ser que não seja tão ruim. Há a visão central de que Paulo Guedes é liberalizante”, diz.

No mercado de ações, os papéis de empresas estatais, como os da Petrobrás e do Banco do Brasil, estão entre os que mais têm avançado desde segunda-feira, 1º. O programa econômico de Jair Bolsonaro defende a privatização dessas empresas. “O discurso do Bolsonaro, de privatização, tem ajudado e puxado (a alta das ações de) empresas mais ligadas ao governo”, acrescenta o estrategista da XP.

Sobre a possibilidade de o candidato do PSL não ter base no Congresso para aprovar reformas como a da Previdência, Plácido lembra que Bolsonaro começou a ganhar apoio nos últimos dias. Na terça-feira, 2, a bancada ruralista anunciou oficialmente seu apoio. “Mas é óbvio que pode acontecer de ele ganhar e não conseguir governabilidade. Aí tudo voltaria: o dólar subiria e a Bolsa cairia”, pondera Plácido.

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