André Dusek/Estadão
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Mercado financeiro eleva para 4,39% estimativa de inflação em 2020

Projeções surgem na esteira do anúncio da retomada do sistema de bandeiras tarifárias na conta de luz em dezembro, com taxa extra de R$ 6,243 a cada 100 kWh

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2020 | 09h16

BRASÍLIA - Os economistas do mercado financeiro subiram pela 19ª semana seguida a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – em 2020. O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 21, pelo Banco Central mostra que a mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 4,35% para 4,39%.

Há um mês, estava em 3,45%. A projeção para o índice em 2021 foi de 3,34% para 3,37%. Quatro semanas atrás, estava em 3,40%.

Essas projeções surgem na esteira do anúncio da retomada do sistema de bandeiras tarifárias na conta de luz em dezembro, com taxa extra de R$ 6,243 a cada 100 kWh. Devido à pandemia do novo coronavírus, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vinha praticando a bandeira verde, sem cobrança de taxa extra.

A projeção dos economistas para a inflação está acima do centro da meta de 2020, de 4%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).

Há duas semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação de novembro foi de 0,89%. Em 12 meses, a taxa acumulada está em 4,31%.

PIB

Para o tombo da economia, Os analistas alteraram levemente suas projeções. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) este ano passou de retração de 4,41% para queda de 4,40%. Há quatro semanas, a estimativa era de baixa de 4,55%.

Para 2021, o mercado financeiro alterou a previsão do Produto Interno Bruto, de alta de 3,50% para 3,46%. Quatro semanas atrás, estava em 3,40%.

No Focus desta segunda, a projeção para a produção industrial de 2020 seguiu em baixa de 5,00%. Há um mês, estava em baixa de 5,04%. No caso de 2021, a estimativa de crescimento da produção industrial seguiu em 5,00%, ante 4,53% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2020 passou de 65,70% para 65,20%. Há um mês, estava em 67,00%. Para 2021, a expectativa foi de 67,01% para 67,00%, ante 69,10% de um mês atrás.

Taxa básica de juros

Os economistas mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2021. O Relatório de Mercado Focus trouxe que a mediana das previsões para a Selic no próximo ano seguiu em 3% ao ano. Há um mês, estava no mesmo patamar.

No caso de 2022, a projeção seguiu em 4,50% ao ano, igual a um mês antes. Para 2023, seguiu em 6,00%, mesmo patamar de quatro semanas atrás.  

Há duas semanas, ao manter a Selic em 2% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central preparou o terreno para possível elevação dos juros em 2021. O motivo é que as projeções de inflação estão se aproximando das metas perseguidas pelo BC nos próximos anos. A avaliação é de que a instituição poderá acabar com o chamado forward guidance (ou prescrição futura, na tradução do inglês).

Adotado em agosto, o forward guidance é uma indicação técnica do BC de que não pretende elevar os juros se a inflação seguir sob controle e o risco fiscal não se alterar. O problema é que, nos últimos meses, a inflação ao consumidor está mais salgada, puxada por aumentos de preços em itens como alimentos e energia. Ao avaliar o cenário, o BC afirmou que "em breve, as condições para a manutenção do forward guidance podem não mais ser satisfeitas". Na prática, se retirar esta mensagem técnica de suas comunicações, o BC ficará mais livre para elevar os juros se achar necessário.

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