Alex Silva/Estadão - 9/9/2020
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Mercado financeiro eleva previsão de inflação para 3,25% e vê tombo menor do PIB em 2020, de 4,66%

Analistas aumentaram suas projeções para o IPCA pela décima quarta semana seguida, de acordo com o relatório Focus, divulgado nesta segunda pelo Banco Central

Fabrício de Castro , O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 09h23

BRASÍLIA - Os economistas do mercado financeiro elevaram sua estimativa de inflação para 2020, pela décima quarta semana seguida, e também passaram a estimar uma queda menor do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.

As projeções fazem parte do boletim de mercado conhecido como relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, 16, pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do País, a expectativa do mercado para este ano passou de 3,20% para 3,25%. Há um mês, estava em 2,65%.   

No decorrer do ano, com a pandemia do novo coronavírus e a recessão na economia brasileira, o mercado baixou a estimativa de inflação. Nos últimos meses, porém, com a alta do dólar e com a retomada da economia, os preços voltaram a subir.

Em setembro, a inflação oficial avançou 0,64%, a maior alta para o mês desde 2003. Em outubro, subiu para 0,86%, a maior desde 2002.

Apesar da alta, a expectativa de inflação do mercado para este ano segue abaixo da meta central, de 4%, e acima do piso do sistema de metas, que é de 2,5% em 2020.

Pela regra vigente, o IPCA pode oscilar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando a meta não é cumprida, o BC tem de escrever uma carta pública explicando as razões.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

Para 2021, o mercado financeiro subiu de 3,17% para 3,22% sua previsão de inflação. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,75% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2,25% a 5,25%.

Retração da economia

Sobre o comportamento da economia brasileira em 2020, os economistas do mercado financeiro baixaram sua estimativa de tombo do PIB de 4,80% para 4,66%.  Há quatro semanas, a estimativa era de baixa de 5%. Para 2021, o mercado manteve em 3,31% a estimativa de expansão do PIB.

A expectativa para o nível de atividade foi feita em meio à pandemia, que tem derrubado a economia mundial e colocado o mundo no caminho de uma recessão. Nos últimos meses, porém, indicadores têm mostrado uma retomada da economia brasileira.

Taxa básica de juros

Após a manutenção da taxa básica de juros em 2% ao ano no fim de outubro, o mercado segue prevendo estabilidade na Selic neste patamar até o fim deste ano.

Para o fim de 2021, a expectativa do mercado ficou estável em 2,75% ao ano. Isso quer dizer que os analistas seguem estimando alta dos juros no ano que vem.

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