Antônio Cruz/Agência Brasil
Antônio Cruz/Agência Brasil

Mercado financeiro eleva projeção para crescimento do PIB em 2021

Segundo o Boletim Focus, do BC, economia deve ter alta de 3,49% no ano que vem, enquanto a inflação ficaria em 3,34%

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2020 | 09h39

Brasília - O mercado financeiro melhorou um pouco a projeção para o crescimento da economia no ano que vem. Segundo os economistas ouvidos pelo Banco Central no Boletim Focus, o PIB deve ter alta de 3,49% em 2021. Na semana passada, essa previsão era de 3,46% e, há quatro semanas, de 3,45%. Para este ano, o número se manteve igual ao da semana passada - queda de 4,40%.

Para o IPCA, o índice oficial de inflação, a previsão para este ano, de acordo com o relatório divulgado nesta segunda-feira, 28, também se manteve igual à da semana passada: alta de 4,39%. Há um mês, estava em 3,54%. A projeção para o índice em 2021 foi de 3,37% para 3,34%. Quatro semanas atrás, estava em 3,47%.

O boletim trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2022, que seguiu em 3,50%. No caso de 2023, a expectativa permaneceu em 3,25%. Há quatro semanas, essas projeções já eram de 3,50% e 3,25%, respectivamente.

A projeção dos economistas para a inflação está acima do centro da meta de 2020, de 4%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).

Há três semanas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação de novembro foi de 0,89%. Em 12 meses, a taxa acumulada está em 4,31%.

Juros mais altos

Em relação à Selic (a taxa básica de juros), os economistas elevaram as projeções para o ano que vem. Segundo o Focus, a mediana das previsões para a taxa no próximo ano passou de 3% para 3,13% ao ano. No caso de 2022, a projeção seguiu em 4,5% ao ano, igual a um mês antes. Para 2023, seguiu em 6%, mesmo patamar de quatro semanas atrás.

Há três semanas, ao manter a Selic em 2% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) preparou o terreno para possível elevação dos juros em 2021. O motivo é que as projeções de inflação estão se aproximando das metas perseguidas pelo BC nos próximos anos. A avaliação é de que a instituição poderá acabar com o chamado forward guidance (ou prescrição futura, na tradução do inglês).

Adotado em agosto, o forward guidance é uma indicação técnica do BC de que não pretende elevar os juros se a inflação seguir sob controle e o risco fiscal não se alterar. O problema é que, nos últimos meses, a inflação ao consumidor está mais salgada, puxada por aumentos de preços em itens como alimentos e energia. 

Ao avaliar o cenário, o BC afirmou que "em breve, as condições para a manutenção do forward guidance podem não mais ser satisfeitas". Na prática, se retirar esta mensagem técnica de suas comunicações, o BC ficará mais livre para elevar os juros se achar necessário.

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