André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Mercado financeiro estima inflação em 6,3% e taxa básica de juros mais alta no fim do ano

Projeção para o IPCA fica cada vez mais distante do teto da meta do Banco Central, de 5,25%, aponta o boletim Focus

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2021 | 10h32

BRASÍLIA - A projeção do mercado financeiro para a inflação em 2021 segue se distanciando ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central. Os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - este ano, conforme o Relatório de Mercado Focus, de alta de 6,11% para 6,31%. Há um mês, estava em 5,90%. Trata-se da 15ª alta seguida.

A projeção para o índice em 2022 seguiu em 3,75%. O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2023, que seguiu em 3,25%. No caso de 2024, a expectativa foi de 3,16% para 3,06%. 

A projeção dos economistas para a inflação já está bem acima do teto da meta de 2021, de 5,25%. O centro da meta para o ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%). Para 2024 a meta é de 3,00%, com margem de 1,5 ponto (de 1,5% para 4,5%).  

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

Com expectativa de inflação maior, o mercado elevou a previsão da Selic pela segunda semana seguida. A expectativa é a de a taxa chegar a 6,75% ao ano no fim de 2021.

Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma "carta aberta" ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando as razões para o estouro. 

A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. O ex-presidente Ilan Goldfajn justificou, à época, que o maior impacto para a inflação ter desabado em 2017 foi a queda dos alimentos por causa da safra recorde.

PIB

Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021, os economistas do mercado financeiro passaram a estimativa de crescimento da economia brasileira de 5,26% para 5,27%. Foi a 13ª alta seguida do indicador.

No começo do ano, o mercado previa que o PIB iria crescer 3,4%. A economia, no entanto, tem mostrado reação nos últimos meses, influenciada, entre outros motivos, pela alta dos preços das commodities - produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo, cotados no mercado internacional em dólar.

Para 2022, o mercado passou a previsão do PIB de 2,09% para 2,10%.

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