André Dusek/Estadão
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Covid-19

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Mercado financeiro já prevê recuo de 4,11% no PIB e inflação de 1,76% no fim deste ano

Pelo menos uma instituição financeira consultada pelo Banco Central projeta queda de 9% na atividade econômica

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2020 | 11h30

BRASÍLIA - A paralisação de boa parte da atividade econômica no Brasil, em função do isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, faz as instituições financeiras traçarem cenários cada vez mais pessimistas para 2020. O relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 11, pelo Banco Central (BC), os economistas reduziram as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação deste ano.

A mediana atual das projeções de todas as instituições financeiras para o PIB em 2020 é de queda de 4,11% ante estimativa de recuo de 3,76% registrada na semana passada. Esse parâmetro vem piorando nas últimas 13 semanas - portanto, desde o início de fevereiro, quando a avaliação era de que o surto do novo coronavírus poderia ficar restrito à China.

Apesar da nova queda, a previsão do mercado para a contração do PIB brasileiro em 2020 ainda está abaixo da divulgada pelo Banco Mundial, que estima um tombo de 5%, e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê queda de 5,3%.

Em março, na esteira da pandemia, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção não reflete a situação atual.

No Sistema de Expectativas do Banco Central, atualizado juntamente com o Focus, já existe pelo menos uma instituição que projeta retração de 9,00% no PIB.

Após o tombo deste ano, os economistas esperam que a recuperação econômica em 2021 seja firme. O Focus indica que a mediana das projeções para o PIB no próximo ano está em 3,20% - um porcentual que, se confirmado, será o maior desde 2011, quando a economia brasileira avançou 4,0%.

No entanto, o Sistema de Expectativas revela que pelo menos uma instituição é bem mais pessimista em relação ao crescimento de 2021: a projeção é de alta de apenas 1,10% para o PIB no próximo ano. Este pessimismo, aliás, revela-se também em relação aos anos seguintes, com projeções de crescimento de 0,50% em 2022, 1,00% em 2023 e 1,00% em 2024.

Inflação e câmbio

Com a atividade econômica em forte retração, a expectativa dos economistas do mercado financeiro é de que a inflação também despenque. Pelo Focus, a mediana das projeções é de alta de 1,76% do IPCA em 2020 - na semana passada, a estimativa estava em 1,97%. Para 2021, os analistas projetam inflação de 3,25%.

O Sistema de Expectativas, no entanto, indica que pelo menos uma instituição financeira projeta inflação de apenas 0,50% em 2020 e de 2,48% em 2021.

A projeção dos economistas para a inflação está bem abaixo do centro da meta de 2020, de 4,00%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA recuou 0,31% em abril - o menor índice desde agosto de 1998. No acumulado do ano, a taxa está positiva em 0,22%.

O cenário traçado pelos economistas indica ainda que o dólar seguirá em patamares mais altos. Há um mês, a projeção para o dólar à vista no fim de 2020 era de R$ 4,60, conforme o Focus.

Agora, a projeção está em R$ 5,00. O valor, porém, ainda está bem abaixo do que se verifica hoje, com o dólar à vista chegando à casa dos R$ 5,80.

Para que a moeda americana termine este ano, de fato, em R$ 5,00 seria necessário haver uma melhora das condições econômicas. No Sistema de Expectativas, pelo menos uma instituição projeta dólar a R$ 6,30 no fim de 2020 - ou seja, acima do patamar atual.

Juros

Na esteira da decisão de política monetária do Banco Central na semana passada, os economistas alteraram suas projeções para a Selic, a taxa básica de juros, no fim de 2020 de 2,75% para 2,50% ao ano.

A projeção para a Selic no fim de 2021 foi de 3,75% para 3,50% ao ano.

Na semana passada, ao cortar a Selic de 3,75% para 3,00% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou que, para a próxima reunião, “considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da covid-19”.

“No entanto, o Comitê reconhece que se elevou a variância do seu balanço de riscos e ressalta que novas informações sobre os efeitos da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos”, ponderou o colegiado.

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