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Mercado financeiro prevê inflação menor em 2016 e 2017

Relatório de Mercado Focus mostra que a mediana para o IPCA - o índice oficial de inflação - este ano passou de 7,23% para 7,04%; há um mês, estava em 7,36%

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2016 | 09h24

BRASÍLIA - Após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, na última sexta-feira, os economistas do mercado financeiro reduziram suas projeções para a inflação em 2016 e 2017. O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 10, mostra que a mediana para o IPCA - o índice oficial de inflação - este ano passou de 7,23% para 7,04%. Há um mês, estava em 7,36%. Já a projeção para o ano que vem foi de 5,07% para 5,06%. Há quatro semanas, apontava 5,12%.

As mudanças ocorreram porque, na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou uma inflação de apenas 0,08% em setembro, abaixo do esperado pelo mercado financeiro (entre 0,10% e 0,23%) e da taxa de agosto (0,44%). Em especial, houve deflação entre os alimentos, de 0,29%, algo que não ocorria desde agosto do ano passado.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na semana anterior, o BC havia atualizado suas projeções para a inflação para os próximos anos, pelo cenário de referência: 7,3% em 2016, 4,4% em 2017 e 3,8% em 2018.

No relatório Focus de hoje, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para este ano caiu de 7,30% para 7,02%. Para 2017, a projeção passou de 5,50% para 5,13%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de, respectivamente, 7,50% e 5,50%.

Já a inflação suavizada 12 meses à frente voltou a ceder, passando de 5,15% para 5,07% de uma semana para outra - há um mês, estava em 5,24%.

Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para outubro passou de 0,40% para 0,39%. Um mês antes, estava em 0,42%. No caso de novembro, a previsão do Focus seguiu em 0,45%. Há quatro semanas, era de 0,47%. No RTI, o BC também apresentou suas estimativas mensais para o IPCA: 0,19% para setembro (acima do efetivamente verificado), 0,40% para outubro e 0,45% para novembro. 

PIB. Pelo documento, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano passaram de retração de 3,14% para queda de 3,15%. Há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,18%. Para 2017, o cenário é mais favorável, com perspectiva de PIB positivo. O mercado continuou prevendo para o País, conforme o relatório Focus divulgado hoje, um crescimento de 1,30% no próximo ano, mesmo valor projetado há um mês.

No segundo trimestre de 2016, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB brasileiro recuou 0,6% ante o primeiro trimestre do ano e teve retração de 3,8% ante o segundo trimestre de 2015. No ano, o PIB acumula baixa de 4,6% e, em 12 meses, recuo de 4,9%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o Banco Central atualizou suas projeções para o PIB. No caso de 2016, foi mantida a expectativa de recuo de 3,3%. Para 2017, a projeção do BC é de alta de 1,3%.

As estimativas para a produção industrial ainda indicam um cenário difícil. A queda prevista para este ano seguiu em 5,96%. Para 2017, a projeção de alta da produção industrial foi de 1,10% para 1,11%. Há um mês, as expectativas para a produção industrial estavam em recuo de 5,93% para 2016 e alta de 1,11% para 2017. Neste ano até agosto, conforme o IBGE, a queda acumulada na produção industrial é de 8,2%.

Já as projeções para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para este ano passaram de 44,90% para 44,80% no Focus, mesmo patamar de um mês atrás. Para 2017, as expectativas no boletim Focus foram de 49,50% para 49,65%, ante projeção apontada um mês atrás de 49,00%. 

Câmbio. O Relatório  mostrou estabilidade nas estimativas para o câmbio deste ano e do próximo ano. O documento indicou que a cotação da moeda estará em R$ 3,25 no encerramento de 2016, mesmo patamar de uma semana antes e de um mês atrás. O câmbio médio de 2016 seguiu em R$ 3,44, também o mesmo valor de uma semana e um mês antes.

Para o fim de 2017, a mediana para o câmbio seguiu em R$ 3,40 de uma divulgação para a outra, ante os R$ 3,45 de quatro semanas atrás. Já o câmbio médio de 2017 permaneceu em R$ 3,36 - estava em R$ 3,38 um mês atrás.

Nas últimas semanas, o Banco Central seguiu com sua estratégia de leilões diários de swap cambial reverso, cujo efeito nas cotações é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Com isso, vem reduzindo gradativamente sua posição vendida em swaps cambiais tradicionais, hoje em torno de US$ 31 bilhões. 

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