ANDRE DUSEK | ESTADÃO
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Mercado financeiro reduz projeção para inflação pela oitava vez seguida

Analistas esperam que o IPCA encerre 2016 em 6,94%; com a melhora das perspectivas, mercado aposta em corte maior nos juros na reunião do Copom de setembro

Bernardo Caram, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2016 | 09h42

BRASÍLIA - O mercado financeiro reduziu pela oitava vez seguida a projeção para a inflação deste ano, segundo o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 2, pelo Banco Central (BC). Agora, a taxa medida pelo IPCA está em 6,94% ante 6,98% da semana passada e de 7,28% quatro semanas atrás. O Banco Central já vem informando que tem como foco não mais 2016, mas 2017, na tarefa de levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%. No caso do ano que vem, a mediana caiu de 5,80% para 5,72%. Há quatro semanas estava em 6,00%.

Para o grupo dos analistas que costuma acertar mais as estimativas, o Top 5, a estimativa de inflação para 2016 ficou mantida em 7,05%. Há quatro semanas, essa mediana estava em 7,18%. Para 2017, o Top 5 revisou a perspectiva para o IPCA de 6,00% na última semana para 5,90%. Há quatro edições atrás do boletim Focus, estava em 6,20%.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado em março, a estimativa do BC para o IPCA de 2016 estava em 6,6% no cenário de referência e 6,9% no cenário de mercado.

Com a melhora nas perspectivas de inflação, o mercado financeiro manteve a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai baixar a taxa básica de juros em setembro, mas agora aposta num corte mais intenso. A taxa, hoje em 14,25% ao ano, seria reduzida em 0,50 ponto porcentual, ante corte de 0,25 p.p. projetado na semana passada. 

Para o fim do ano, o mercado projeta 13,25%, mesmo valor da semana passada - há quatro semanas, estava em 13,75% a.a.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado manteve a Selic inalterada em 14,25% a.a., em decisão unânime. Para o ano que vem, o mercado espera que a taxa Selic termine o ano em 11,75% ao ano, ante taxa de 12,00% a.a. apontada na última semana - há quatro documentos estava em 12,50%.

Atividade econômica. Os analistas do mercado financeiro revisaram mais uma vez suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2016 para baixo. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a perspectiva de retração da atividade do ano que vem passou de 3,88% para 3,89%. Há um mês, a mediana das projeções estava em 3,73%.

No Relatório Trimestral de Inflação divulgado em março, o BC revisou de -1,9% para -3,5% sua estimativa para a retração econômica deste ano.

Para 2017, a previsão de crescimento do PIB teve uma leve melhora, de um crescimento de 0,30% para 0,40% - um mês antes, a expectativa era de uma alta de 0,30%.

Já a mediana das expectativas para a produção industrial de 2016 foi revisada de -5,80% na última semana para -5,83% - um mês antes estava em  -5,80%. Para 2017, passou de um crescimento de 0,54% para 0,50%. Há quatro semanas, estava em 0,69%. No caso da relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB de 2016, a projeção dos analistas passou de 41,80% para 41,40% - quatro edições antes estava em 41,10%. Para 2017, a taxa passou de 46,39% para 46,15% - um mês antes estava em 46,20%. 

No câmbio, o mercado espera que a moeda americana deve chegar em 31 de dezembro comercializada a R$ 3,72, ante R$ 3,80 do levantamento da semana passada. Um mês antes, a mediana das previsões estava em R$ 4,00. O câmbio médio de 2016 ficou em R$ 3,66, contra R$ 3,68 da semana passada e R$ 3,83 registrados há um mês.

Para o encerramento de 2017, a mediana das estimativas para o dólar ficou em R$ 3,91, ante R$ 4,00 da semana passada - estava R$ 4,10 há um mês. O ponto central da pesquisa para a cotação média de 2017 caiu de R$ 3,98 para R$ 3,90 - um mês antes estava em R$ 4,03.

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