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Mercado financeiro segue descolado da crise política

Efeitos da turbulência atual são menores que os sentidos no período anterior ao afastamento de Dilma

Eduardo Laguna, Impresso

17 de junho de 2017 | 17h00

Do câmbio à bolsa de valores, passando pelo risco país e pelas previsões sobre a retomada da atividade econômica, a mais grave crise enfrentada pelo presidente Michel Temer deixa marcas de dimensões incomparavelmente menores do que as do choque sentido pelo mercado financeiro nos meses que antecederam o afastamento de Dilma Rousseff.

Desde que, há um mês, a delação dos donos do frigorífico JBS colocou sob ameaça o mandato de Temer, o dólar bateu em R$ 3,40, mas já está novamente abaixo de R$ 3,30, o que ainda representa alta de 5% no período, porém distante dos mais de R$ 4 alcançados no auge da crise da ex-presidente.

O Ibovespa, índice que expressa o desempenho das ações mais negociadas na bolsa de valores de São Paulo, mesmo tendo recuado quase 9% na crise de Temer, se mantém 64% acima da pontuação de janeiro do ano passado.

Os números revelam que, embora o mercado financeiro não passe ileso pelas turbulências na política, a crise não anulou a recuperação mostrada pelos ativos desde a troca de governo.

A valorização das commodities ajuda o País a reduzir o déficit nas transações correntes com o exterior. Sem fuga de capital – pelo contrário, pelos dados do BC, um saldo de mais de US$ 2,4 bilhões desembarcou no País desde o início da crise – e amparado por reservas internacionais que se aproximam de US$ 380 bilhões, o BC teve munição para despejar US$ 10 bilhões para evitar a disparada do dólar no mês passado.

Parte da relativa calmaria vista no mercado se deve também à leitura de que, com Temer ou sem Temer, o País não perderá o norte de uma política econômica elogiada por conter o avanço da inflação e por permitir uma perspectiva melhor do que se tinha no governo Dilma sobre a trajetória da dívida pública. “O governo tem uma equipe econômica tecnicamente muito boa, que executa ou anuncia políticas que o mercado quer ver”, comenta o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

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