Antonio Milena/AE
Antonio Milena/AE

Mercado financeiro subestima riscos do Brexit, diz Stiglitz

Para o prêmio Nobel de economia, investidores não levam em conta a insatisfação da população e o ‘fracasso’ do euro

Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2016 | 05h00

NOVA YORK - O mercado financeiro mundial está subestimando os riscos da saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit, afirmou ontem o prêmio Nobel de economia, Joseph Stiglitz, em uma entrevista ao canal de televisão CNBC. Outra fonte de problemas para a região, disse ele, pode vir da Itália e dos desdobramentos de sua crise bancária.

Os investidores, disse Stiglitz, não estão levando em conta riscos que incluem a crescente insatisfação da população europeia com líderes pró-UE em meio ao aumento do desemprego, sobretudo entre os jovens, e o euro, moeda que se provou um “fracasso”.

Mesmo com o aumento das incertezas, as bolsas em Wall Street têm batido sucessivos recordes e os mercados da Europa e Ásia também têm registrado altas expressivas desde a votação no Reino Unido.

O economista afirmou que os indicadores econômicos da UE têm sido “sombrios” desde 2008. Os Estados Unidos, ao contrário, conseguiram se recuperar melhor da crise financeira mundial, disse ele.

Nota ‘D’. Stiglitz, que é professor da Universidade de Columbia, em Nova York, disse que o país com melhor desempenho na Europa, a Alemanha, merecia uma nota “D”. “Nesse contexto, é inevitável que grandes frações da população vão ficar perturbadas.” A Itália, segundo ele, pode ser outra fonte de problemas da região, por conta de uma crise bancária e do endividamento alto das famílias de classe média. “O próximo teste para a região provavelmente virá da Itália.”

Para salvar a União Europeia, Stiglitz disse que os países teriam de abandonar o euro. O erro dos europeus, para o economista, foi adotar a moeda única antes de resolver outras questões, como o fortalecimento do parlamento europeu e um sistema bancário comum. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.