Mercado futuro de ações não decola

O mercado futuro de ações, mais uma tentativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) de dar fôlego aos negócios, ainda não despertou o interesse dos investidores. Em quase três meses de atividades, que serão completados no dia 23, foram realizadas apenas 34 transações com contratos futuros. Segundo dados da Bovespa, o movimento financeiro do mercado foi de apenas R$ 1,041 milhão no período.Foram 17 negócios com contratos de papéis da Telemar, 11 com Telesp Celular e seis com Petrobrás. Vale destacar que as transações ocorreram apenas em 2001. Janeiro passou em branco e fevereiro ainda não apresentou negociação.O mercado futuro é um segmento destinado à compra e venda de ações, a um preço negociado entre as partes interessadas, para liquidação em uma data futura, previamente estabelecida. Funciona como uma ferramenta para os investidores, que podem montar estratégias, combinando mercado à vista com o mercado futuro e de índices de ações.Para o superintendente executivo de operações da Bovespa, Ricardo Pinto Nogueira, a seção estreante foi prejudicada pela mudança de humor da Bolsa por causa dos problemas da Argentina, que se agravaram no fim do ano passado. Ele disse que os contratos negociados no fim de 2001 foram os de vencimento em dezembro. Esses contratos poderiam ter sido rolados para fevereiro, o que não aconteceu. "Os investidores preferiram rolar via mercado de opções, que tem liquidez maior e risco limitado. A pessoa paga um prêmio e o máximo que perde é esse prêmio."O presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Alfried Plöger, concorda que o baixo volume financeiro da Bovespa foi desfavorável ao desenvolvimento do mercado futuro. "Enquanto o governo não resolver os problemas dos juros altos, dos impostos sobre a renda variável e do custo Brasil, que espantam o investidor, o mercado não vai decolar."Para o analista-chefe da Corretora Itaú, Reginaldo Alexandre, outra razão para os poucos negócios é o desconhecimento por parte dos investidores. "É um produto novo e talvez os agentes ainda não tenham entendido suas possibilidades."Outro obstáculo, segundo Alexandre, é a baixa liquidez, que acaba gerando um círculo vicioso. O diretor da corretora Planner, Luiz Antonio Vaz das Neves, acredita que o mercado futuro precisa de um patrocinador de liquidez, com um plano de marketing e iniciativas para estimular os agentes a negociar.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.