Mercado ignora crise argentina e comemora

Os investidores brasileiros cansaram-se de prever a quebra da Argentina e de conviver com a postergação constante dos problemas com medidas de efeito limitado. As cotações vêm se recuperando conforme aumenta a percepção de que as conseqüências da crise para o Brasil serão mínimas. Enquanto o país vizinho ia se afundando na crise, o governo brasileiro superou as metas para as contas públicas, as contas externas foram beneficiadas pela desvalorização cambial, a crise energética abrandou-se e a economia está em recuperação. Na pior das hipóteses, se houver uma ruptura na Argentina, ninguém acredita que a comunidade internacional deixará o Brasil em dificuldades. O resultado é que passou o susto e as empresas estão vendendo os dólares que tinham comprado para se proteger da crise, fazendo as cotações despencarem. Contribuem para o movimento a entrada de US$ 2,47 bilhões da dívida da Polônia e o leilão de Privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), cujo preço mínimo é de cerca de R$ 5 bilhões, podendo render forte entrada de divisas se for arrematado por um grupo estrangeiro. O leilão foi adiado para o dia 12.A Bolsa de Valores também está se beneficiando do otimismo e fechou ontem em alta de 6,82% - aliás, acompanhando a tendência de recuperação das bolsas norte-americanas, que esperam novo corte no juro básico hoje na reunião do Fed (Banco Central dos EUA). A queda, que deve estimular a economia dos Estados Unidos, já é a décima do ano e pode trazer o juro real, que está próximo de zero, para um nível abaixo da inflação. A taxa está em 2,5% ao ano e pode cair entre 0,25 e 0,5 ponto porcentual, segundo analistas.Argentina não convenceNa Argentina, o governo promete uma troca de títulos da dívida externa em dois a quatro meses, essencial para o equilíbrio das contas do governo. As condições não agradaram o mercado, que considera a operação um calote negociado. Hoje devem sair os termos da reestruturação da dívida interna. Também espera-se um acordo de corte no repasse de verbas para as províncias, o que continua em negociação.Enquanto essas medidas mais centrais para o sucesso das políticas do governo não são concretizadas, a equipe econômica tentará encontrar um meio de honrar o pagamento de US$ 5,364 bilhões de sua dívida até o final de 2001. E torce para que os fortes movimentos de saques bancários e compras de dólares cessem. O risco país continua em níveis estratosféricos, tendo fechado ontem em 2.455 pontos (leia mais a respeito no link abaixo). Entre crise política, obrigações externas e corrida aos bancos, o colapso está cada vez mais próximo.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2001 | 08h03

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