Mercado ignora turbulência e eleva previsão para 2008

Resultado do ano passado anima economistas, que já revêem para cima projeções de expansão para este ano

Marcelo Rehder e Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

O forte desempenho da economia no último trimestre de 2007 e no início deste ano levou consultorias e economistas a reverem para cima suas estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2008. Por enquanto, os especialistas ainda analisam os números do ano passado, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas empresas como a Tendência Consultorias Integradas e a LCA Consultores já colocaram viés de alta nas suas previsões para o ano.Segundo a economista Marcela Prada, da Tendência, a projeção para este ano deverá ser elevada dos atuais 4,4% para algo entre 4,7% e 4,8%. "O consumo das famílias veio acima do esperado no último trimestre de 2007, enquanto os condicionantes tradicionais da demanda, como crédito, emprego e renda, continuam fortes neste início de ano", argumentou a economista. No quarto trimestre do ano passado, o PIB cresceu 1,6% em relação ao trimestre anterior, contrariando as estimativas do mercado, que espera alta de apenas 1%. No mesmo período, o crescimento do consumo das famílias chegou a 3,7%, bem acima da taxa dos trimestres anteriores, de 1,5% de crescimento.Antes de divulgar a nova estimativa do PIB para este ano, a LCA ainda avalia os números referentes ao investimento, consumo das famílias e importação, que devem vir mais altos do que os inicialmente previstos. "A gente acha que vai ter uma puxadinha para cima na nossa projeção para o PIB deste ano", disse o economista Francisco Pessoa Faria, da LCA. A expectativa inicial da consultoria era de crescimento de 4,5%.O diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, Octavio de Barros, também admite a possibilidade de rever para cima a previsão para o PIB deste ano. Por enquanto, a projeção é de 4,5%. Segundo ele, só a herança estatística do desempenho do quarto trimestre de 2007 já garantiria um crescimento de 2,5% neste ano. A taxa está apenas 2 pontos porcentuais abaixo da mediana das projeções de mercado, segundo o Relatório Focus, do Banco Central. Por outro lado, Barros destaca que são grandes as incertezas em relação à contribuição do setor externo, que em 2007 foi negativa em aproximadamente 1,4 ponto porcentual. Para ele, esse número pode ser ainda maior em 2008, por causa da combinação de crescimento doméstico robusto com desaceleração do crescimento mundial. Além disso, o economista lembra que os desdobramentos das turbulências internacionais poderiam afetar o País por meio da resposta do Banco Central diante de uma desvalorização do real, que poderia ocorrer como conseqüência de uma eventual forte queda dos preços das commodities."No líquido, porém, acredito que haverá alguma revisão altista sim, ainda que modesta", disse o economista.O economista-chefe do Banco Morgan Stanley, Marcelo Carvalho, acredita que uma das imediatas repercussões da divulgação da alta do PIB de 5,4% em 2007 deve ser a elevação das projeções do Produto Interno Bruto na pesquisa Focus realizada pelo Banco Central. "As estimativas para 2008 estão em 4,5%, mas devem subir, e não me surpreenderia se registrassem um patamar entre aquela marca e 5%", comentou. Carvalho ponderou que a expansão do consumo das famílias apresentou uma aceleração da velocidade no último trimestre de 2007, quando subiu 8,6% em relação ao mesmo período de 2006. Embora não acredite que tal expansão vai repercutir em alta da inflação no médio prazo, o ritmo maior da demanda pode ampliar as preocupações já manifestadas pelo Banco Central de que o robusto nível de atividade aumente os temores de alta do IPCA neste ano. "A aceleração da demanda é um fator legítimo que pode aumentar a apreensão do BC com os índices de preços no curto prazo", comentou. Já a consultoria MB Associados mantém os 4,7% de expansão do PIB em 2008. "O resultado de 2007 veio dentro do que esperávamos", afirmou Sérgio Vale, economista-chefe da MB. "Estávamos com 5,5% e veio 5,4% e no quarto trimestre veio 6,2% e estávamos com 6%." Para o primeiro trimestre, a consultoria considera a perspectiva muito positiva. "Todos os dados que saíram até agora foram nesse sentido, a começar da indústria de janeiro e os dados preliminares da indústria automobilística, que foram muito fortes."REAÇÕESNota do Iedi"Em uma hipótese ainda não vislumbrada, mas sempre possível, de menor dinamismo do mercado interno, o Brasil sentirá falta de políticas voltadas para assegurar um balanceamento maior entre fonte externa e interna de crescimento"Alencar BurtiPresidente da Associação Comercial de São Paulo"Neste ano, se não houver agravamento da crise americana, o Brasil será a limonada do limão"Paulo SkafPresidente da Fiesp"No momento em que se começa a discutir a reforma tributária, esta significativa evolução dos impostos no ano passado - acima do crescimento do setor privado - deve ser um alerta para a sociedade: é preciso domar a fúria arrecadatória do governo"Nota da Fecomércio-SP"Resta saber se o crescimento de 5,4% PIB em 2007 confirma o início de um ciclo mais longo ou se apenas o País surfou sobre uma onda positiva"

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