Mercado ignorou Argentina e segue otimista

Ontem o Fundo Monetário Internacional (FMI) recusou a liberação da esperada parcela de US$ 1,36 bilhões à Argentina, um duro golpe nas pretensões do governo de manter a paridade entre o peso e o dólar. Apesar de algum pessimismo nos negócios da manhã, os mercados brasileiros recobraram a confiança ao longo do dia e o saldo acabou otimista. A boa avaliação da conjuntura interna é compartilhada pelos investidores estrangeiros. Vários bancos internacionais elegeram o Brasil como mercado emergente mais atrativo em 2002, o que garante a entrada de divisas, mesmo com a crise ao lado. Há pouco o ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, anunciou que irá para Washington hoje à noite para negociar com o FMI. Fala-se que ele ofereceria ao Fundo algum tipo de reforma cambial: dolarização, desvalorização ou as duas coisas. Também há rumores de que ele tentará convencer o Tesouro norte-americano a apoiá-lo numa operação de dolarização. De qualquer forma, o risco de colapso financeiro imediato é muito grande, já que há pouquíssima margem de manobra e nem mesmo o pacote anunciado no final de semana parece suficiente para conter a escalada da crise. Por isso, espera-se uma ruptura do regime cambial nos próximos dias. As reservas internacionais estão baixas demais, inclusive para uma dolarização total da economia, e os depósitos bancários seguem em queda. As medidas do pacote, inclusive, foram flexibilizadas ontem à noite, o que dá margem a uma nova corrida aos bancos. Além disso, as pessoas descobrem maneiras de burlar os limites impostos, como abrir várias contas bancárias para multiplicar o teto para saques. As altas na Bolsa de Buenos, por exemplo, refletem a preocupação dos investidores em não manter pesos, que podem sofrer desvalorização. Favoritas são as operações com ADRs - American Depositary Receipts, recibos de empresas com sede fora dos EUA negociadas na Bolsa de Nova York -, para retirar dinheiro do país. Fechamento dos mercados O dólar comercial para venda fechou em R$ 2,4200, com queda de 0,66%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 21,000% ao ano, frente a 21,200% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,17%. Às 18h20, o índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 8,86%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,16%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 0,34%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

06 Dezembro 2001 | 18h21

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