Márcio Fernandes/Estadão
Armínio Fraga analisa conjuntura econômica Márcio Fernandes/Estadão

Mercado imobiliário busca saídas

Alternativas para o setor reagir dominaram os debates da segunda edição do Summit Imobiliário promovido pelo Estado, em parceria com o Secovi-SP

O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

As alternativas para o mercado imobiliário reagir, diante da mais grave crise política e econômica das últimas décadas, dominaram os debates da segunda edição do Summit Imobiliário promovido pelo Estado, em parceria com o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). No encontro, que reuniu empresários, investidores, estudiosos e representantes do setor público, o consenso foi de que não é hora de ficar parado e sim de buscar soluções e oportunidades.

Maior fundo imobiliário do mundo, o Blackstone, que vem aplicando recursos no Brasil desde 2012, anunciou que vai abrir este ano um escritório no País. “Há muitos desafios econômicos e políticos no Brasil no momento, mas esse tipo de ambiente normalmente cria oportunidades”, disse Kenneth Caplan, diretor global de investimentos do fundo.

O presidente da subsidiária local da Tishman Speyer, Daniel Cherman, lembrou que a empresa - há mais de 20 anos no Brasil, onde tem US$ 2 bilhões aplicados na área imobiliária - já passou por outras crises no País. Para ele, “o Brasil não vai sair do mapa do investidor global”.

Diretor-presidente da Lopes Consultoria de Imóveis, o executivo Marcos Lopes disse que “como corretor”, ele tem de ser “otimista”. E garantiu: “Quando houver um respiro de confiança, o mercado vai voltar com tudo”.

Palestrante no evento, Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador do Gávea Investimentos, disse acreditar numa melhora no médio prazo do desempenho do mercado imobiliário, às voltas com dificuldades que são “reflexo da situação econômica enfraquecida”. Mas, para ele, no curto prazo uma recuperação é difícil.

Nesse quadro de incertezas, o presidente do Secovi-SP, Flavio Amary, defendeu o afastamento do atual governo como etapa essencial para a retomada da confiança. “Se a razão desse quadro caótico é política, a solução tem de começar na política.”

Veja a seguir os debates do Summit Imobiliário 2016 e destaques do momento vivido pelo setor.

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Busca pela casa própria exige mais cautela

Instabilidade política e cenário de alta da taxa de juros e restrição de crédito complicam decisão do consumidor

Hugo Passarelli, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

O consumidor em busca da casa própria enfrenta um cenário desafiador em 2016. Os juros dos financiamentos vêm subindo desde o ano passado, enquanto os bancos têm aumentado a restrição de crédito. As instabilidades políticas e seus reflexos na economia, com alta da inflação e desemprego, só engrossam esse caldo. Para especialistas, a palavra do momento é cautela antes de bater o martelo.

O financiamento de um imóvel residencial exige cuidado porque é uma dívida de longo prazo e, provavelmente, a mais cara que um consumidor assume em toda a vida. Dados do Banco Central mostram que o prazo médio das concessões de crédito habitacional ficou ao redor de 30 anos nos últimos 12 meses.

O custo do crédito também encareceu. A taxa de juros regulada, que usa recursos da poupança e do FGTS e é mais barata, está em 9,5% ao ano pelos dados mais recentes (até o mês de fevereiro). Há um ano, estava em 8,8%. Nessa categoria, estão os imóveis com preço de até R$ 650 mil ou R$ 750 mil para os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, além do Distrito Federal.

Já as chamadas taxas médias de mercado, aplicadas para os financiamentos de imóveis mais caros, passaram de 13% para 14,6% ao ano no mesmo intervalo.

Só a Caixa Econômica Federal – que detém cerca de 70% do mercado de financiamento habitacional – elevou os juros em até 1,32 ponto porcentual no mês passado. Foi a quarta elevação de taxas do banco estatal desde o ano passado.

Para Marcelo Prata, consultor e fundador do site Canal do Crédito, a taxa de juros nem chega a ser o fator com mais relevância nesse momento. “A principal questão é a capacidade ou previsibilidade para honrar esses pagamentos. Não é o momento para assumir um compromisso de longo prazo para quem não tem uma boa entrada ou poupança”, afirma.

Mesmo as recomendações mais clássicas e triviais, como dar o máximo possível de entrada e suavizar o peso dos juros, ganham nuances neste cenário conturbado.

“Como a situação é muito instável, talvez seja interessante não colocar todas as reservas na entrada e ter um colchão de liquidez se o pior acontecer”, afirma Luiz Calado, economista e autor do livro Imóveis – seu guia para fazer da compra e venda um grande negócio.

Já os poupadores que possuem reservas financeiras para comprar à vista podem encontrar boas oportunidades de negócio porque incorporadoras e construtoras estão dando desconto em unidades que desejam tirar do estoque.

“A chance de o preço dos imóveis parar de cair no curto prazo é muito baixa”, afirma Calado. Para o consultor Prata, o momento é bom porque o preço é chave para fazer um bom negócio. “O segredo de quem investe nesse mercado é ganhar na hora da compra”, diz Prata.

Migração. Na avaliação de Prata, uma opção para aqueles que precisam hoje comprar um imóvel é tentar, no futuro, realizar a portabilidade de crédito dessa dívida em busca de uma condição mais atraente. “Uma diferença de cerca de meio ponto porcentual pode acabar já compensando a portabilidade”, diz.

Em maio de 2014, entraram em vigor as novas regras da portabilidade, que regulamentaram a prática e tornaram o processo mais claro e rápido.

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Desistências de compras crescem 10%

No ano passado, total de distratos chegou a 50 mil, refletindo restrição ao crédito, alta dos juros e avanço do desemprego no País

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

Num cenário de crédito restrito, juro alto e avanço do desemprego, ficou cada vez mais difícil para o brasileiro encarar as prestações de um financiamento imobiliário. Isso fez aumentar as desistências dos contratos de compra – os chamados distratos. Em 2015, foram distratados 49,9 mil imóveis – um aumento de 10,7% em relação a 2014. Para efeito comparativo, o montante equivale a quase metade das 108,9 mil unidades vendidas no ano passado.

Os dados são de levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que representa as 19 maiores empresas do setor.

No passado, o grande problema dos compradores era o atraso na entrega das obras. Com a retração econômica e a fase de ajuste no mercado imobiliário, o dilema passou a ser outro. “Os distratos hoje são o calcanhar de aquiles das empresas”, afirma Marcelo Tapai, advogado especialista no segmento imobiliário.

O sonho da casa própria acaba virando um pesadelo, tanto para as incorporadoras, já com estoque elevado, como para os compradores. Muitos dos que assumiram dívida há dois ou três anos, por exemplo, vivem hoje situações que dificultam a continuidade do negócio. “O desemprego causa muito impacto, mas não só ele, como também o medo do desemprego, que impede a pessoa de assumir um financiamento”, afirma Meyer Nigri, fundador da Tecnisa e vice-presidente da Abrainc. “Outro motivo é o rigor dos bancos na concessão de crédito, além do aumento da taxa de juros – para cada 1 ponto porcentual de aumento na taxa básica de juros (Selic), a prestação sobe 8%.”

Desistências. No escritório de Tapai, em 2013, 14% das ações eram referentes a distratos. Em 2014, o número saltou para 45%. No ano passado, as desistências na aquisição do imóvel foram responsáveis por 75% das ações. Esse grande montante contempla dois tipos de perfis, explica o advogado. Um deles é da pessoa que, entre a compra do imóvel na planta e a entrega das chaves, viu sua renda cair ou teve crédito negado, de modo que não consegue assumir a dívida. Outro é o comprador que até poderia seguir com o financiamento, mas não o vê mais como algo vantajoso.

“A pessoa se sente lesada porque, ao somar o que já pagou e o que ainda deve, vê que o montante é muito maior do que o preço atual do imóvel, que vem se desvalorizando”, explica Tapai. “Quando percebe que está tomando prejuízo e que a empresa fez um reajuste de preço para todo mundo menos para ela, que já era cliente, é natural que ela busque outra alternativa, a fim de perder menos.”

Com isso, o cancelamento de contratos é o motivo que mais levou os consumidores a processar as construtoras no ano passado. Segundo levantamento do escritório Tapai Advogados com base em dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, os processos contra as construtoras cresceram 45% em 2015. “Se antes, do total de processos, 60% eram referentes a atrasos nas obras e 16% a desistências e outros motivos, podemos dizer que hoje a situação se inverteu”, diz Tapai.

O comprador de imóvel na planta tem direito de desistir da aquisição a qualquer momento antes da entrega das chaves, e de obter de volta, em média, de 85% a 90% do que pagou, com correção monetária e em parcela única.

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Imóveis têm desconto especial

Construtoras querem diminuir estoque

Anna Carolina Papp, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

Para acelerar as vendas e diminuir os estoques, construtoras e imobiliárias intensificaram, no fim do primeiro trimestre, ações promocionais com descontos expressivos e condições de pagamento facilitadas para atrair os consumidores.

A Even fez em São Paulo no mês passado mais um edição do Even Day, com 2 mil unidades de mais de 70 empreendimentos. Em algumas unidades, os descontos chegavam a 50%. “O evento serve para quase todo mundo, pois temos uma carteira grande de produtos: desde unidades de entrada de R$ 200 mil, a imóveis de alto padrão, de milhões de reais”, diz Marcelo Dzik, diretor de Incorporação da Even.

Em uma outra ação específica para unidades prontas, a empresa ofereceu algumas condições especiais, como a possibilidade de pagar a entrada com a venda do carro e assessoria de financiamento grátis. “Os resultados foram muito satisfatórios”, afirma Dzik.

A construtora MRV, cuja maioria dos empreendimentos está enquadrada no programa habitacional Minha Casa Minha Vida, realizou feirões em diversas cidades do País. “Criamos um senso de urgência para os clientes, com descontos, facilidades de pagamento e alguns benefícios, como ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens) gratuito”, diz Rodrigo Rezende, diretor de marketing da MRV Engenharia.

Os descontos dos imóveis populares chegaram a R$ 15 mil – por volta de 10% do valor da unidade. “Vamos agora entrar com uma campanha publicitária focada no ‘primeiro apê’, incentivando o cliente a sair do aluguel. Muitas vezes, ele paga mais no aluguel do que poderia pagar numa parcela, mas não sabe disso.”

A Lopes, maior imobiliária do País, realizou no mês passado uma ação promocional com descontos em 60 empreendimentos. O desconto médio da campanha, que foi de 12% na última edição, saltou para 21%.

“Temos feito promoções quase que trimestralmente, pois temos os maiores incorporadores – que oferecem unidades de estoque que ainda têm um preço bom se comparados a um novo terreno”, diz Mirella Parpinelle, diretora de atendimento da Lopes. A empresa vendeu 30% acima do nível regular de vendas.

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Plataformas apostam em dados e mobilidade

Sites e aplicativos investem em análise de informações para atender melhor o cliente

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

Em sites e aplicativos de compra e venda de imóveis, os consumidores têm acesso a um volume cada vez maior de informações. Essas plataformas digitais apostam pesado em “big data” (análise de um grande volume de dados) para tornar as buscas cada vez mais completas e precisas. O investimento em análises estatísticas tem por objetivo transformar os dados em informação valiosa, para atrair incorporadoras, imobiliárias e usuários.

“A falta de informação sempre foi um problema no mercado imobiliário”, afirma Eduardo Schaeffer, presidente do Zap Imóveis. “Precisamos de instrumentos para conseguir dados desse mercado.”

Desde o ano passado, a empresa, que já atuava no campo das pesquisas com o FipeZap – índices sobre o setor em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) –, resolveu expandir a área de inteligência imobiliária com a DataZap.

A equipe desenvolve estudos regionais e setoriais, análises de risco, retorno de carteiras de ativos e os chamados AVMs – modelos estatísticos que estimam o valor do imóvel por meio de um banco de dados, levando em conta variáveis como tamanho, localização, vista e demanda.

“Índices são importantes, mas são visões médias do mercado, e escondem muitas diferenças”, explica Schaffer. No Itaim Bibi, por exemplo, uma vaga de garagem vale mais do que uma suíte na composição de preço, e apartamentos menores têm metro quadrado mais caro. “Por isso, é importante ir além da média e estudar as particularidades de cada ponto e de cada imóvel”, complementa.

Geolocalização. A internet já chegou a metade dos lares brasileiros, segundo os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE. Em 2014, o País registrou pela primeira vez um acesso maior via celular do que por computador. No setor imobiliário, esse é um nicho particularmente importante por conta das ferramentas geolocalizadas, que identificam o lugar em que o usuário está para mostrar e sugerir imóveis.

Foi com o foco em mobilidade que Ado Fonseca criou o aplicativo Moving Imóveis, que, além de mostrar o imóvel e estatísticas de preço em uma determinada região, permite que o usuário explore o bairro, mostrando serviços como restaurantes e escolas. “Temos de ir onde o cliente está e hoje a informação está na ponta dos dedos”, diz Fonseca.

Criado em 2009 pelo americano Brian Requarth, o site VivaReal conta com equipe de tecnologia dedicada ao levantamento de dados. Para expandir essa área, o site firmou uma parceria com a empresa de inteligência Geoimovel. “O próximo grande desafio do Brasil é obter dados não só sobre o preço de oferta, mas sobre o preço final do negócio – do contato à transação”, diz Requarth.

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Apartamentos supercompactos conquistam o mercado

Envelhecimento da população e estilo de vida dos jovens sãocompatíveis com residências pequenas

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

A tendência revelada nos últimos anos por apartamentos supercompactos é, na opinião de especialistas e empresários do setor, irreversível. Para participantes do Summit Imobiliário Brasil 2016, o envelhecimento da população e o estilo de vida propagados entre os mais novos é compatível nas grandes cidades do País e do mundo com soluções residenciais com 15 m², no máximo 30 m² de área útil.

“Não tem por que a gente continuar olhando para imóveis com grande espaço físico em cidades onde se prioriza a vida a céu aberto e onde cada vez mais se buscam soluções mais econômicas e eficientes”, afirma o empresário Antônio Setin, da incorporadora Setin.

De 2011 a 2015 a empresa lançou sete empreendimentos na região do centro de São Paulo, com apartamentos de 18 m² a 22 m². “Descobri esse mercado no dia em que entrei num hotel de baixo custo no exterior, com uma suíte de 13 m². Foi uma revolução para mim, que estava acostumado com quartos de 30 m², 40m²”, conta Setin, que trouxe ao Brasil a rede de hotéis Formule 1, hoje Ibis Budget.

Principal divulgador do Tiny House Moviment (Movimento de Casas Minúsculas, em tradução livre), o americano Andrew Morrison diz que a procura por espaços menores é motivada pelos anseios das novas gerações. “São pessoas que não estão dispostas a percorrer longas distâncias de casa para o trabalho, nem comprometer o orçamento com financiamento imobiliário”, conta ele, que mora em uma casa de 19 m² com a mulher e dois filhos adolescentes no Oregon, nos Estados Unidos. “Desde a crise de 2008, o movimento de casas minúsculas cresce bastante nos Estados Unidos”, afirma Morrison.

Morrison vê potencial no Brasil para minicasas. “Meu entendimento é que o Brasil tem uma pequena parte de casas acessíveis, e isso acontece porque, a exemplo dos Estados Unidos, há uma grande distância entre os que têm muita riqueza e os que têm muito pouco.”

Para Sumara Osório, diretora da Y&R, especialista em hábitos de consumo da geração millennium (jovens entre 18 e 35 anos), o mercado imobiliário vai precisar aprender a trabalhar com esse novo cliente. “Esse público representa um grande desafio para as empresas. Mais da metade não pensa em comprar um carro e está acostumada a se relacionar com marcas disruptivas, como Waze, WhatsApp e Uber”, analisa.

Já o médico Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil, destaca as características dos consumidores idosos. “Vamos viver 30 anos mais que nossos avós. No Brasil, já somos mais de 47 milhões de pessoas com 50 anos ou mais. É preciso pensar em projetos ‘amigos da idade’, tendo em vista que muitos desses homens e mulheres têm um grande potencial de compra”, afirma.

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PPP pode avançar em moradia popular

Novas leis urbanísticas abrem caminho para as Parcerias Público-Privadas, que devem encerrar ano com mais de 20 mil contratações

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

Os critérios e incentivos de construção definidos pela revisão das duas principais legislações urbanísticas da cidade, o Plano Diretor e a Lei de Zoneamento, abrem caminho para uma maior participação do mercado imobiliário na produção de moradias populares. Por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs), estima-se que apenas o governo do Estado feche o ano com mais de 20 mil unidades contratadas.

Durante o Summit Imobiliário 2016, modelos inovadores de intervenção urbana foram discutidos como forma de atenuar a crise econômica e reduzir o déficit habitacional, que passa de 1 milhão no Estado.

Para o secretário estadual de Habitação, Rodrigo Garcia, o modelo de parceria desenvolvido pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) oferece hoje boas oportunidades de negócio para o mercado.

Com a aprovação do novo Zoneamento – lei que define quais tipos de uso e ocupação do solo são permitidos na cidade –, será possível, por exemplo, erguer prédios em cima de estações do Metrô, como Brás, Bresser e Belém, todas na zona leste. “Não se trata mais de uma ideia. Está em funcionamento, já com obras e até o fim do ano vamos contratar mais dois projetos: a PPP do Metrô e a PPP da Região Metropolitana, que vai revitalizar uma gleba de 2,7 milhões de metros quadrados entre Guarulhos, Arujá e Itaquaquecetuba.”

Uma das principais diretrizes definidas pelo Plano Diretor, elaborado pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) e aprovado em 2014, é exatamente incentivar o adensamento populacional em avenidas da capital com transporte público.

O advogado Marcelo Manhães, que é presidente da Comissão de Direito Urbanístico da OAB-SP, explicou que o Plano Diretor e o Zoneamento são leis complementares. “Cada uma tem a sua função específica, por isso, é tão importante que haja harmonia entre elas.”

‘Predinhos’. Além das PPPs, o foi detalhada no evento uma nova oportunidade de projeto residencial: prédios baixos, de até cinco andares, em zonas dedicadas antes apenas ao comércio.

O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Fernando de Mello Franco, explicou que a possibilidade foi aprovada no novo Zoneamento e valerá para algumas regiões da capital, como a Avenida Indianópolis, na zona sul. “Se não querem comércio nas zonas corredor, mas a manutenção do residencial, por que não ensaiar uma nova tipologia, com gabarito de até 15 metros, de pequeno impacto, não para residência unifamiliar, mas multifamiliar? Isso foi aprovado em algumas zonas corredor e vamos testar.”

A ideia visa também ampliar as possibilidades de uso de imóveis exclusivamente comerciais. Somente na Indianópolis há cerca de 40 casarões vazios com placas de vende-se ou aluga-se. Analistas do mercado acreditam que um leque mais amplo de atividades poderá aquecer novamente o setor de locação.

O mercado ainda aguarda a aprovação de uma terceira lei importante para o setor, o Código de Obras, já em discussão entre os vereadores. A expectativa é que ele traga mecanismos que facilitem a construção, eliminando etapas burocráticas que atrasam as obras. A votação pode ocorrer ainda neste semestre. Para o ex-presidente do Secovi, Claudio Bernardes, os empresários do setor devem se debruçar sobre todas essas leis, conhecer bem a legislação para fazer o melhor uso dela.

“O Plano Diretor estabelece diretrizes para a lei de zoneamento e outras legislações relacionadas à organização urbanística.”

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Cidades do interior do País atraem investimento

Disponibilidade de grandes áreas fora do eixo Sudeste alimenta mercadode loteamento

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 05h00

A força do agronegócio, a descentralização industrial e a melhoria da malha rodoviária têm feito, nos últimos anos, com que cidades de grande e médio portes pelo interior do Brasil se tornassem alvos de investimentos imobiliários, mesmo diante do atual quadro de recessão econômica nacional.

Participantes do Summit Imobiliário Brasil 2016 apontaram que a disponibilidade de grandes áreas fora do eixo Sudeste e o desenvolvimento do Centro-Oeste e do Nordeste alimentam o mercado de loteamento brasileiro. “O impacto da crise ocorre de forma diferenciada no País. Tivemos grandes lançamentos no Ceará e até em Tocantins, mesmo com a economia tendo indicadores de recessão”, disse o diretor-presidente da Alphaville Urbanismo, Marcelo Willer.

Segundo o presidente do Secovi-SP, Flávio Amary, um estudo feito pela entidade mostrou que o mercado imobiliário no interior é menos volátil do que nas grandes capitais e tem sofrido menos com a retração econômica. “Embora mais limitados por conta do número de habitantes, são mercados que, neste momento que estamos passando agora, pela força do agronegócio, pela questão do câmbio e do preço das commodities, passam um pouco distante dessa crise”, concordou o presidente da BrDU Urbanismo, João Victor Araújo.

Sediada em Goiânia, a BrDU atua com loteamento de condomínios fechados em oito Estados, aportando investimentos em cidades de médio porte que surgiram após a década de 1970, como Rondonópolis e Tangará da Serra, no Mato Grosso, com a construção de grandes eixos rodoviários, como a BR-163 (Cuiabá-Santarém).

“Em Tangará da Serra, lançamos um empreendimento em maio de 2015, com 1.319 lotes divididos em três etapas. Em dois dias de lançamento, já havíamos vendido 511”, destaca Araújo. “A maioria das cidades que são polo da agricultura no Mato Grosso viraram hub de outros municípios.”

Experiência. O presidente da Alphaville Urbanismo destaca que uma vantagem dos novos loteamentos desenvolvidos pelo interior do País é a experiência com empreendimentos executados no passado nas grandes metrópoles, como o Alphaville de Barueri, iniciado em 1974. “Ele foi pensado para ter 2 milhões de metros quadrados e acabou com 13 milhões. Mesmo sendo espaço com qualidade de vida, tem problemas de desenvolvimento urbano, criados por uma sucessão de projetos interligados um ao outro. O bairro não foi planejado para ser uma verdadeira cidade”, disse.

Após repensar o modelo e promover sucessivas atualizações no desenvolvimento de projetos em Campinas, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba, Willer acredita que o Alpha Ceará, na Grande Fortaleza, consegue reunir o conceito mais moderno de loteamento urbano, sem criar uma “ilha de excelência cercada por uma região sem infraestrutura”.

A área de 18 milhões de metros quadrados, com quase 3 mil lotes residenciais e comerciais, está “encaixada” na malha urbana da região, e tem um plano viário integrado à infraestrutura do entorno, além de mercado, hospital, universidade, lojas voltadas para rua e até um aeroporto privado. “Existem várias cidades fora do eixo Sudeste que comportam grandes projetos. É interessante criar um endereço mesmo que seja mais difícil e levar desenvolvimento e infraestrutura para toda a região”, disse Willer.

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Mercado de crédito continua ativo, mas num patamar menor, diz presidente da Abecip

Atualmente, o mercado de crédito concedido para habitação tem um tamanho de mais de R$ 1 trilhão, sendo cerca de R$ 499 bilhões

Cynthia Decloedt e Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2016 | 14h40

SÃO PAULO - O mercado de crédito imobiliário continua ativo, mas seu ponto de equilíbrio deve ser menor do que o de anos anteriores, de acordo com o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Duarte de Abreu Filho. O executivo disse que a concessão de financiamento com recursos da poupança, no sistema do SBPE, deve ter um novo ponto de equilíbrio de R$ 50 bilhões.    

Para efeito de comparação, foram destinados R$ 75,6 bilhões para aquisição e construção de imóveis em 2015 no SBPE, montante 33% inferior ao apurado no mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da entidade. Atualmente, o mercado de crédito concedido para habitação tem um tamanho de mais de R$ 1 trilhão, sendo cerca de R$ 499 bilhões de SBPE, R$ 340 bilhões com recursos do FGTS, R$ 193 bilhões em LCI e R$ 61 bilhões em CRI.    

Ele explicou que, se forem feitos ajustes estruturais, a redução dos juros para cerca de 10% ao ano será o ponto em que o mercado pode voltar. Nos últimos dois meses, a curva de juro caiu de 17% para 14%, explicou o executivo. O custo do dinheiro de longo prazo vai determinar a disponibilidade do crédito para os imóveis.    

A poupança, de acordo com o executivo, vai continuar sendo o principal funding de financiamento imobiliário, mas não pode ser vista como a única alternativa, dado que há quantidade limitada de recursos. A poupança traduz até certo ponto o subsídio do poupador e há um número limitado de clientes que oferecem essa oportunidade.    As outras alternativas de mercado são mais caras e, embora tenham papel importante, estruturalmente só poderão ser acessadas quando houver queda do juro. Entre essas alternativas, o executivo citou as LCI e incluiu a LIG. 

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Setor da construção foi do paraíso ao inferno em três anos, diz presidente do Secovi

Flavio Amary afirmou, em participação no Summit Imobiliário Brasil 2016, que o lançamento de novas moradias diminuiu 37% em 2015 em relação ao ano anterior, sendo que em 16 regiões pesquisadas, a queda foi de 24%

Cynthia Decloedt e Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2016 | 12h16

SÃO PAULO - O presidente do Secovi-SP, Flavio Amary, descreveu a trajetória do setor imobiliário nos últimos três anos como "do paraíso ao inferno", citando shoppings com lojas vazias, lajes corporativas ociosas e locação comercial ou residencial em queda. Amary afirmou que o lançamento de novas moradias diminuiu 37% em 2015 em relação ao ano anterior, sendo que em 16 regiões pesquisadas, a queda foi de 24%.    

Diante desse quadro, o dirigente defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff.  No evento Summit Imobiliário Brasil 2016, que acontece em São Paulo, organizado em parceria do Estadão com o Secovi, o presidente do sindicato afirmou haver razões concretas para formalizar o impeachment, citando a argumentação do jurista Ives Gandra da Silva Martins. Mas destacou que o impedimento da presidente, por si, não "fará qualquer milagre; apenas abrirá as portas", disse, observando que exigirá "pacificação e a coalização dos partidos em prol de um projeto comum de nação".    

Na opinião de Amary, a crise política deu origem à pior crise econômica das últimas décadas. "Se a razão desse quadro caótico é política, a solução tem de começar na política". Nesse sentido, ele remeteu atenções para o próximo dia 17, quando haverá a votação na Câmara do processo de impeachment.

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CPMF não será suficiente para corrigir rota do déficit fiscal, comenta Armínio Fraga

Em entrevista após participação no Summit Imobiliário, ex-presidente do Banco Central reforça que não foi convidado para participar de novo governo

Aline Bronzati, Cynthia Decloedt e Lucas Hirata, O Estado de S. Paulo

12 de abril de 2016 | 15h04

SÃO PAULO - O ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Gávea Investimento, Armínio Fraga, avaliou, durante participação no Summit Imobiliário Brasil 2016, que a volta da CPMF não será suficiente para corrigir a rota do déficit fiscal no Brasil. "A coisa chegou em um jeito que não é suficiente só a volta da CPMF, fazer um esforço curto. Não é uma questão cíclica. Nossa máquina não está preparada para crescer. Vive hoje certa paralisia", afirmou.    

De acordo com Fraga, o Brasil vive hoje uma trajetória "muito perigosa", que combina queima de caixa, Produto Interno Bruto (PIB) encolhendo e juro real "astronômico". Destacou ainda que a relação dívida/PIB, de 72%, não incorpora prejuízos a olho nu, como a necessidade de capital para a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o FGTS. É necessário, na sua visão, uma "reviravolta importante na área fiscal".    

"Nossos Estados estão péssimos do ponto de vista de finanças. O Rio de Janeiro vive um momento particularmente difícil", acrescentou o sócio-fundador da Gávea.    Ele vê a relação dívida/PIB do Brasil chegando perto dos 80%, crescendo entre 7% e 8% por ano.    Para Fraga, alinhar a trajetória da dívida pública no País requer uma reforma de Estado. "O melhor a fazer de cara seria arrumar a trajetória da dívida pública", avaliou Fraga.

Governo. Fraga negou rumores de que teria sido convidado para participar de um novo governo e desmentiu ter jantar agendado com o vice-presidente Michel Temer esta noite. "Não fui convidado a participar de um novo governo", afirmou. 

O ex-presidente do Banco Central reiterou, no entanto, que gostaria de colaborar como o que fosse possível e que suas políticas estariam próximas do que havia elaborado na composição da chapa do então candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves, em 2014. Fraga negou que tivesse um jantar com o vice Temer esta noite e disse que na suposição de um encontro, o tema seria econômico. "Não tivemos a chance de conversar. Se Temer me der a honra de um convite irei, e será para sugestões na área econômica", afirmou. "Não há jantar esta noite", afirmou e observou que tal assunto sobre agenda deve ser checado com o próprio Temer. 

 Ele acrescentou que já havia sinalizado que nesse momento não poderia compor o governo, por razões pessoais, que envolvem por exemplo a recém recompra da Gávea Investimentos. Há especulações que de Fraga ocuparia o Ministério da Fazenda em um eventual governo pós impeachment da presidente Dilma Rousseff, com o atual vice, Michel Temer ocupando a presidência.

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