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Mercado imobiliário do Rio de Janeiro começa a ver sinais de retomada

Recuperação é puxada por ativos de alto padrão, acima de R$ 1,5 mi; expectativa é fechar este ano com vendas em R$ 3 bi, o dobro de 2017

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2019 | 20h46

RIO - Após amargar uma longa crise, o mercado imobiliário do Rio de Janeiro começa a esboçar uma reação. A estimativa do setor é fechar 2019 com R$ 3 bilhões em valor geral de vendas (VGV) de lançamentos na capital. O montante está longe da média de R$ 10 bilhões registrada nos anos de boom do setor, de 2011 a 2013, mas corresponde ao dobro do total registrado em 2017, fundo do poço do mercado carioca. A melhora gradual é puxada pelo segmento de imóveis de alto padrão.

“No fim de 2018, vimos uma luzinha no fim do túnel. Agora já é um farol. Vemos uma retomada no segmento de imóveis com valor superior a R$ 1,5 milhão. É um público que tinha recursos ou parte dele, mas ainda não se sentia confiante para concretizar a compra do imóvel”, diz o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Claudio Hermolin.

O alto padrão representa uma fatia de 20% do mercado imobiliário do Rio. O restante se divide entre imóveis de R$ 240 mil a R$ 1,5 milhão e os populares, como Minha Casa Minha Vida. A faixa mais impactada pela crise é a do meio, formada por compradores de classe média que dependem da retomada do emprego e da estabilidade da renda para se comprometerem com um investimento mais robusto.

A expectativa é que esse público só comece a reagir no segundo semestre de 2020, já que depende da melhora da economia real. “Se você está desempregado e volta ao mercado formal, não vai fazer um investimento no mercado imobiliário logo de cara”, pondera Hermolin.

Lançamentos

Dados do Secovi Rio, que reúne empresas do setor de habitação, indicam um crescimento contínuo no número de imóveis negociados na capital fluminense desde 2017. De janeiro a agosto desse ano, a alta foi de 13%, com um total de 30,7 mil imóveis (entre lançamentos e imóveis antigos). 

O total de lançamentos no 1º semestre foi o maior desde 2015, segundo a entidade. Ao todo, 10.489 imóveis foram lançados, contra 8.390 no mesmo período do ano anterior e apenas 4.514 nos primeiros seis meses de 2017. Em 2011, auge do setor, o Rio chegou a contabilizar 22 mil lançamentos de janeiro a junho.

“Mesmo com a oferta aumentando, estamos vendendo mais. Não vamos voltar a viver um período como o de 2009 a 2014, mas finalmente começa a haver uma retomada da confiança. 2020 será melhor”, diz o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider. Ele menciona mudanças na legislação municipal do Rio e a queda dos juros básicos – impulsionando a diversificação de investimentos e reduzindo o custo do financiamento imobiliário – como fatores favoráveis ao setor.

As análises dos especialistas sobre a situação do mercado imobiliário do Rio destacam sempre a grave crise econômica do Estado, hoje em regime de recuperação fiscal, após ser atingido em cheio por casos de corrupção. Outro fator é a derrocada do setor de óleo e gás em função da crise da Petrobrás e dos preços mais baixos das commodities. Hermolin, da Ademi, acredita que a retomada dos leilões de petróleo, de investimentos das petroleiras, além da negociação de ativos da estatal no Rio, são sinais positivos para a economia e a geração de emprego e renda.

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