Brittany Greeson/The New York Times - 8/2/2019
Brittany Greeson/The New York Times - 8/2/2019

Investidores compram mais imóveis nos EUA e preços sobem

Compradores em todo o país veem preços aumentarem desenfreadamente

Kevin Schaul e Jonathan O'Connell, The Washington Post

28 de fevereiro de 2022 | 05h00

Em 2021, os investidores compraram aproximadamente uma de cada sete casas vendidas nas principais áreas metropolitanas dos Estados Unidos, o maior número registrado nas últimas duas décadas, de acordo com a empresa de serviços imobiliários Redfin.

Essas aquisições acontecem em um momento em que possíveis compradores em todo o país estão vendo preços aumentarem desenfreadamente, levantando a dúvida em relação ao impacto que os investidores estão tendo nos preços para todas as pessoas. Os investidores foram ainda mais agressivos nos últimos três meses de 2021, comprando 15% de todas as casas vendidas em 40 mercados.

Os investidores em imóveis podem ser grandes corporações, empresas locais ou pessoas ricas, e não costumam viver nas propriedades que estão comprando. Alguns planejam vendê-las em seguida para novos compradores, enquanto outros as alugam.

Os bairros onde a maioria dos residentes são negros têm sido muito visados, segundo uma análise do Washington Post dos dados da Redfin. Em 2021, 30% das vendas de casas em bairros cujos moradores eram em sua maioria negros foram realizadas para investidores, em comparação com 12% em outras áreas das cidades, mostram os dados da análise.

Atratividade

“Sabemos que, historicamente, os lugares onde as minorias vivem são pouco valorizados ou têm preços mais baixos”, disse Sheharyar Bokhari, da Redfin. Isso, disse ele, faz com que os locais se tornem mais atrativos para os investidores, aumentando os preços para residentes da região.

O efeito da atividade dos investidores difere de cidade para cidade. As regiões com a maior porcentagem de compras por investidores estão no sul do país. Mas algumas das regiões mais visadas estão no “Cinturão da Ferrugem”, sobretudo nos bairros habitados de forma significativa por minorias em Detroit e Cleveland.

O número crescente de aquisições por investidores tem atraído cada vez mais o escrutínio dos legisladores democratas no Capitólio, principalmente quando os compradores miram em bairros onde vivem minorias. “Uma das razões para os preços dos imóveis terem saído tanto de controle é que as empresas americanas detectaram uma oportunidade para se dar bem”, disse o senador democrata Sherrod Brown, na semana passada, durante uma audiência no Senado com o Comitê de Assuntos Bancários, Habitacionais e Urbanos, que ele preside.

Brown falava especificamente das empresas de private equity e dos proprietários que usam os imóveis como ativos. “Eles compraram as propriedades disponíveis, aumentaram os aluguéis, reduziram as prestações, avaliaram casas de família com preços menores e forçaram os inquilinos a deixarem suas casas”, disse ele.

Na audiência, tanto democratas quanto republicanos no comitê, liderados pelo senador republicano Patrick Toomey, falaram das preocupações com um problema latente: as rígidas regras de zoneamento em muitas cidades que impedem a construção de mais casas.

Bokhari também falou a respeito dessa preocupação ao discutir sua pesquisa. Como há poucas casas sendo construídas, há possibilidade de lucro na escassez. “Se estivéssemos construindo moradias suficientes, não haveria tanta atividade de investimento com as casas que temos”, disse. “Se tivéssemos casas suficientes para atender à demanda, todo mundo poderia comprar uma casa.” / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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