Mercado: instabilidade pode diminuir

Apesar do pessimismo registrado hoje no mercado financeiro, analistas acreditam que a próxima semana deve ser mais tranqüila no mercado financeiro. A expectativa é que as notícias positivas - possível melhora na classificação de risco da dívida brasileira, o resultado positivo da operação da Petrobras e da troca de papéis da dívida brasileira por bônus globais de 40 anos - devem ter impacto maior sobre o humor dos investidores.O cenário financeiro passou por um dia de instabilidade hoje, em função do anúncio da possibilidade de revisão das metas fiscais da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável do BankBoston, a situação argentina pode continuar preocupando os investidores brasileiros na próxima semana, porém com um grau de importância menor do que hoje.Além da Argentina, outro fator que ainda gera instabilidade no mercado é a pressão de alta no preço do petróleo. O temor é que essa elevação na cotação do barril do óleo pressione os índices inflacionários nos Estados Unidos, comprometendo a intenção do banco central norte-americano (Fed) de desaquecer a economia, elevando as taxas de juros.Desde junho de 1999, o Fed já promoveu seis aumentos. A taxa anual subiu de 4,75% ao ano em junho de 1999 para 6,5% ao ano em maio desse ano. O Fed deve divulgar uma reavaliação da taxa em sua próxima reunião, no dia 22 de agosto. Robério Costa, economista sênior do Citibank, acredita que a taxa nos Estados Unidos deve subir mais 0,5 ponto porcentual. "Mas isso só deve acontecer após a eleição presidencial, em 7 de novembro", explica. Copom define nova taxa de juros na próxima semanaUm dos eventos mais importantes no mercado financeiro na próxima semana é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 22 e 23 de agosto. Alguns analistas acreditam que os fatores positivos devem ter uma influência maior na decisão do Comitê e, nesse caso, a taxa básica de juros - Selic - pode sofrer nova redução.Marcelo Alain, economista-chefe do Banco Inter American Express, acredita que a taxa de juros deve cair 0,5 ponto porcentual. "Apesar da alta nos índices de inflação, o cenário econômico do País tem demonstrado que os juros podem cair", explica o economista. Nicolas Balafas, diretor de renda variável do BNP Asset Management, é menos otimista. Ele acredita que a Selic pode ser reduzida em 0,25 ponto porcentual ou receberá apenas um viés de baixa - autorização para o presidente do Banco Central reduzir os juros quando julgar conveniente, sem necessidade de consulta ao Copom. Por outro lado, existem analistas mais cautelosos, ou seja, que não consideram esse o momento mais adequado para novo corte na taxa de juros. Gina Baccelli, economista da Lloyds Asset Management, avalia que o Comitê deveria deixar os juros no patamar de 16,5% ao ano. "O mais indicado é que uma nova redução acontecesse quando os índices de inflação estivessem mais tranqüilos", explica. Ziegelmann, do BankBoston, concorda. "A pressão sobre os preços pode começar a afetar outros produtos, além de alimentos e combustíveis e isso pode gerar nervosismo no mercado", afirma. Marcelo Carvalho, economista do JP Morgan, que também acredita que o Copom deve manter a cautela e deixar a Selic em 16,5% ao ano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.