Mercado: instabilidade pode diminuir hoje

O mercado financeiro deve operar hoje com uma instabilidade menor do que a registrada ontem, quando houve uma forte expectativa por parte dos investidores de que o governo argentino pagaria altas taxas de juros no leilão de US$ 1,1 bilhão de Letras do Tesouro Nacional. Há pouco, o dólar comercial estava cotado a R$ 1,9490 - queda de 0,31% em relação aos últimos negócios de ontem.No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 0,26%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - começam o dia pagando juros de 18,340% ao ano, frente a 18,500% ao ano registrados ontem.A instabilidade no mercado ontem foi motivada pela expectativa dos investidores em relação ao resultado do leilão. Em função disso, o dólar chegou a atingir o patamar de R$ 1,9670, mas fechou cotado a R$ 1,9550, com alta de 0,77% em relação aos últimos negócios de segunda-feira. Em momentos de instabilidade, o dólar tende a apresentar forte valorização frente ao real, em função, principalmente, ao aumento de procura por operações de hedge (segurança).Mercado atento à situação da ArgentinaDe fato, o governo argentino pagou taxas salgadas no leilão. Nos papéis com vencimento em um ano a taxa ficou em 16%. Há 15 dias, os juros para os mesmos títulos estavam em torno de 10%. De acordo com o correspondente Vladimir Goitia, a Secretaria de Financiamento, responsável pela negociação da dívida externa e interna argentina, deve emitir novo lote no valor de US$ 250 milhões em Letras do Tesouro nas próximas duas semanas. Essa é a emissão programada pela Secretaria desde o início do ano. Antes porém, o governo deve emitir outros US$ 100 milhões em bônus e ainda esta semana poderá sair a tomar um empréstimo de US$ 500 milhões das Administradoras de Fundos de Pensão e Aposentadoria.O lançamento de títulos e as altas de juros sinalizam um agravamento da situação argentina, já que o país assume um volume ainda maior de dívidas. Para o próximo ano, a Argentina vai precisar de recursos para financiar suas contas, mas ainda não definiu de que forma vai captar esses recursos. Uma das propostas seria um corte de gastos no valor de US$ 700 milhões. Essa alternativa consta do Orçamento para 2001 que está em aprovação no Congresso. Mas, enquanto não há uma definição para o cenário na Argentina, os mercados financeiros tendem a continuar em oscilação.Eleições norte-americanasNos Estados Unidos, o resultado da eleição presidencial ainda não está definido, mas tudo indica que o novo presidente do país será o republicano George Bush. De acordo com apuração do editor João Caminoto, o euro perdeu terreno diante do dólar na abertura do mercado em Londres hoje por causa das informações de que Bush havia vencido as eleições. A moeda única adotada por onze países europeus, que logo após a intervenção do Banco Central Europeu (BCE) na segunda-feira atingiu a marca de US$ 0,8730, chegou a cair para US$ 0,8548.

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