Carlo Allegri/Reuters
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Bolsas da Ásia e da Europa sobem, mas Nova York cai com alta do petróleo

Barril do petróleo registrou alta de 7%, o pior resultado em seis meses; índices asiáticos e europeus foram apoiados pela decisão do BC americano de manter as taxas de juros inalteradas

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2021 | 17h05
Atualizado 18 de março de 2021 | 17h32

Após a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de manter inalterada a taxa de juro dos Estados Unidos, as Bolsas da Ásia e da Europa fecharam em alta nesta sexta-feira, 18, apesar da cautela que tomou conta dos índices do mercado de Nova York na sessão de hoje, após a forte queda do petróleo.

Na última quarta-feira, 17, o Fed deixou as taxas dos EUA entre 0 e 0,25% ao ano, reforçando ainda a mensagem de que uma alteração não seria feita até pelo menos 2023. O veio num momento em que uma recente alta nos juros dos títulos do Tesouro americano - que acabou impulsionando os rendimentos de bônus asiáticos e europeus - alimenta temores de que pressões inflacionárias possam levar grandes bancos centrais a começar a reverter as agressivas medidas de estímulo que adotaram em reação à pandemia de covid-19

No entanto, o movimento ainda parece ser pró-juros baixos. Hoje, o Banco da Inglaterra também decidiu manter inalterados os principais pilares de sua política monetária. De acordo com análise da Capital Economics, o BC britânico demonstrou que não está nem perto de discutir um aperto das condições monetárias e que não está preocupado com a escalada dos retornos dos títulos ingleses. "Nossa previsão de inflação sugere que o banco provavelmente não pensará em aumentar as taxas de juros até 2023/24", argumentou.

Petróleo

petróleo fechou a sessão desta quinta em forte queda, com diversos fatores estimulando o recuo nos preços dos contratos. O mercado repercute, em especial, o recrudescimento da pandemia de coronavírus no mundo, principalmente no continente europeu. A alta do dólar ante moedas concorrentes também pressionou o barril, já que a commodity energética fica mais cara e, portanto, menos atraente a investidores que negociam em outras divisas

WTI para maio fechou em queda de 7,07%, cotado a US$ 60,06 o barril. Foi o maior recuo do contrato do WTI desde setembro do ano passado. Já o Brent para maio cedeu 6,94%, a US$ 63,28 o barril. Diversos países da Europa têm registrado alta recente nas infecções locais por coronavírus, e governos adotam novas medidas para frear os contágios. Segundo o analista da Schneider Electric Robbie Fraser, além da Europa, a demanda do mercado asiático por petróleo começa a dar sinais de fraqueza em compras recentes.

Bolsas de Nova York

Puxados pelo desempenho negativo do petróleo, os índices de Nova York fecharam em queda. Dow Jones cedeu 0,46%, S&P 500 teve queda de 1,48% e o Nasdaq sofreu a maior baixa de todas, com recuo de 3,02%.

Bolsas da Ásia

A decisão do Fed favoreceu os mercados asiáticos. A Bolsa de Tóquio subiu 1,01%, enquanto a de Hong Kong avançou 1,28%, a de Seul teve ganho de 0,61% e a de Taiwan registrou ganho de 0,44%. Na China, os índices de XangaiShenzhen tiveram altas de 0,51% e 0,87% cada.

Na Oceania, a Bolsa australiana contrariou o tom positivo da Ásia e caiu 0,73%, à medida que os rendimentos de bônus do governo local saltaram em reação a queda de 5,8% em fevereiro, da taxa de desemprego local.

Bolsas da Europa

Além da decisão do BC inglês, também foi bem recebida a notícia de que o órgão regulador de medicamentos da União Europeia considerou "segura e eficaz" a vacina da AstraZeneca contra o coronavírus. Com isso, o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, fechou em alta de 0,40%¨.

A Bolsa de Londres teve alta de 0,25%, a de Paris ganhou 0,13% e a de Frankfurt avançou 1,23%. As Bolsas de Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de 0,33%, 0,29% e 0,41% cada. /MAIARA SANTIAGO, ANDRÉ MARINHO E GABRIEL CALDEIRA

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