Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Bolsas da Europa e da Ásia caem de olho em recuperação da economia dos EUA

Investidores seguem atentos ao movimento dos títulos do Tesouro americano, cujos rendimentos seguem em alta; Nova York fechou sem sinal único

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2021 | 17h00
Atualizado 19 de março de 2021 | 18h53

As Bolsas da Ásia e da Europa fecharam em queda nesta sexta-feira, 19, em sintonia com as perdas do dia anterior vistas em Wall Street, motivadas pelo novo avanço do mercado de títulos do Tesouro americano, cujas taxas de rendimento seguem cada vez mais pressionadas, de olho nas previsões para a inflação e recuperação da economia dos Estados Unidos. O mercado de Nova York ficou sem sinal único.

"A combinação de condições financeiras incrivelmente relaxadas, que dificilmente diminuíram nas últimas semanas, aceleração da campanha de vacinação, outro pacote fiscal substancial recentemente legislado e prospectos  de reabertura no horizonte certamente está aumentando a tolerância do Fed a rendimentos mais elevados", analisa a economista Anna Stupnytska, da Fidelity International, sobre o fato do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) se mostrar pouco interessado em interferir para conter a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro.

Também desanimou hoje, o fato do Fed ter anunciado que não irá estender um alívio temporário na reserva de segurança exigida para os bancos, mostrando um aperto, ao menos nesse sentido, nas medidas de incentivo concedidas no pior momento da pandemia. Ainda sobre política monetária, o Banco do Japão (BoJ) decidiu permitir que o rendimento dos bônus do governo japonês (JGB) de dez anos oscile entre -0,25% e 0,25%. 

No noticiário da pandemia, o ministro da saúde alemão alertou hoje que pode não haver imunizante suficiente para conter uma terceira onda da covid-19 na Europa. O país registrou 17,4 mil novas infecções e 226 mortes em 24 horas - segundo dia consecutivo de aumento. A Holanda, por sua vez, teve o maior número diário de diagnósticos ontem (7,4 mil), enquanto a Bélgica estuda voltar a fechar lojas e serviços não essenciais.

Ainda sobre o tema, hoje, França, Alemanha, Portugal e Itália foram alguns dos países que decidiram retomar o uso da vacina 

da AstraZeneca com Universidade de Oxford, após uma suspensão motivada por relatos de coágulos sanguíneos supostamente associados ao produto.

Bolsas da Ásia

Ambas as Bolsas de Tóquio e Hong Kong caíram 1,41%, enquanto a de Seul teve baixa de 0,86% e a de Taiwan, de 1,34%. Na China, os índices de Xangai e Shenzhen cederam 1,69% e 1,90% cada.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou igualmente no vermelho, em queda de 0,56%, à medida que um tombo de cerca de 7% dos preços do petróleo pesou em ações do setor de energia

Bolsas da Europa

No continente europeu, o índice Stoxx 600 caiu 0,76%, enquanto a Bolsa de Londres recuou 1,05%, a de Paris perdeu 1,07% e a de Frankfurt teve queda de 1,05%.

Milão, Madri e Lisboa tiveram baixas de 0,66%, 1,53% e 1,23% cada.

Bolsas de Nova York

A decisão do Fed de não estender o alívio aos bancos pesou também em Nova York. Assim, o desempenho dos três índices de referência foi tímido nesta sexta-feira, com o Dow Jones em baixa de 0,71%, o S&P 500 em recuo de 0,06% e o Nasdaq em alta de 0,76%.

Por lá, as taxas de rendimento do Tesouro americano, que chegaram a bater em 1,75% ontem, no maior valor em 14 meses, ficaram em ritmo mais moderado hoje, em alta de 1,72%. É este movimento das taxas que tem praticamente ditado nos últimos dias o comportamento do dólar no mercado internacional, por conta da perspectiva de maior crescimento da economia americana

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira, recuperando parte das perdas da sessão de ontem, após quedas em torno de 7% nos contratos em Nova York e Londres. Os preços da commodity energética ficaram voláteis na maior parte do dia, ainda sob pressão do avanço da pandemia de coronavírus na Europa, que gera incertezas quanto à retomada da demanda global pelo óleo. O movimento de recuperação nos preços, porém, aliado à alta na demanda por gasolina nos Estados Unidos, segundo operadores, apoiaram o avanço do petróleo hoje, o primeiro das últimas seis sessões.

O barril do petróleo WTI com entrega prevista para maio encerrou a sessão com ganhos de 2,30%, a US$ 61,44 o barril. Na comparação semanal, o contrato recuou 6,36%. Já o barril do petróleo Brent para o mesmo mês avançou 1,98% hoje, mas cedeu 6,78% na semana, fechando o dia cotado a US$ 64,53 o barril./MAIARA SANTIAGO, GABRIEL CALDEIRA E MATHEUS ANDRADE

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