Mercado internacional e Natal impulsionam ouro

Metal foi o investimento que mais se valorizou em outubro (7,67%), mas outras aplicações, como a bolsa (1,79%) e o dólar (0,59%), deram retorno

Roberta Scrivano e Yolanda Fordelone, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

O mês de outubro foi positivo para os investimentos de uma maneira geral. Todos fecharam no azul, alguns com altas mais expressivas, como o ouro, que se valorizou 7,67%, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que ganhou 1,79% no mês.

Até o dólar, que amargava quedas mensais consecutivas durante o ano, conseguiu recuperar 0,59%, por causa das novas medidas adotadas pelo governo federal para tentar brecar a valorização do real.

A elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 4% para 6% em recursos de estrangeiros que investem na renda fixa foi o que mais impactou, segundo especialistas em finanças pessoais, nas cotações da moeda americana em relação ao real no mês passado. Levando em conta o ano, o dólar ainda acumula queda de 2,35%.

A perspectiva para a moeda como investimento, no entanto, não é otimista. "Creio que o dólar estará a R$ 1,60 em dezembro de 2011", diz Roberto Padovani, estrategista de investimentos sênior para a América Latina do Banco WestLB.

No caso do ouro, que liderou o ranking de outubro, dois motivos pesaram para a valorização, como explica o presidente do grupo Fitta, André Nunes. "As economias lá fora ainda estão muitos fracas, o que impede os bancos centrais de aumentar a taxa de juro", diz. "Com isso, os investidores estão buscando aplicações mais rentáveis em bolsa ou em commodities, como o ouro", avalia.

Além disso, no caso do Brasil, há um efeito sazonal em outubro que impactou nas cotações do metal precioso. "As joalherias já começam a comprar ouro para produzir as joias que serão vendidas no Natal. Isso sempre pressiona o preço para cima", diz.

Apesar de parte dos especialistas afirmar que o ouro não tem liquidez sobretudo para pequenos investidores, Nunes afirma que no mercado de balcão o número de negócios vem aumentando. "Na BM&F, o menor contrato custa em torno de R$ 20 mil. Por isso, as corretoras negociam barras menores, de 10 gramas ou R$ 1 mil", diz.

Bolsa. A melhora gradual das perspectivas para a economia mundial, aliada aos sinais de que o Fed (banco central dos Estados Unidos) está preparando nova ajuda ao mercado, foi o motor propulsor das bolsas. "As bolsas apresentaram altas, em dólares, na faixa de 0% a 8%, com média de 4%", diz Fábio Colombo, administrador de investimentos.

Renda fixa. Aplicar em prefixados ou pós-fixados não fez diferença em outubro, já que os fundos de renda fixa e os DI renderam 0,63%. Especialistas em finanças pessoais lembram que nas aplicações conservadoras uma dica importante é pesquisar a taxa de administração, que pode corroer a rentabilidade.

Esse custo fez com que os fundos DI destinados a pequenos investidores, geralmente os que cobram as maiores taxas de administração, tivessem retorno de 0,5% em outubro, inferior até à tradicional caderneta de poupança, que rendeu 0,55%. "Em novembro, o rendimento bruto será na faixa de 0,55% a 0,85%", calcula Colombo.

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