Vega Alonso del Val
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Mercado internacional fecha em alta com aprovação de pacote trilionário na Câmara dos EUA

Deputados aprovaram o pacote de US$ 1,9 trilhão proposto por Joe Biden sem nenhum corte, mas expectativa é que medida seja desidratada pelo Senado

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2021 | 18h27
Atualizado 01 de março de 2021 | 20h22

Os principais índices do exterior fecharam em alta nesta segunda-feira, 1, com a aprovação, na madrugada de sexta-feira para sábado, do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão proposto por Joe Biden pela Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. A medida, que agora segue para o Senado, era amplamente esperada e deve impulsionar a recuperação da maior economia do mundo.

A previsão do líder democrata no Senado, Chuck Schumer, é enviar o projeto para sanção até 14 de março. No entanto, a chance do pacote passar sem nenhum corte, como aconteceu na Câmara, é consideralvemente menor. Além dos republicanos, senadores do próprio partido de Biden descordam de alguns dos dispositivos previstos no texto.

Além do pacote, também animou a autorização para uso da vacina contra covid da Johnson & Johnson em solo americano. Este é o terceiro imunizante aprovado pelos EUA e deve ajudar ainda mais no processo de vacinação, já que ele é de dose única. Crucial para a retomada da economia, o avanço da imunização contra a covid-19 também é assunto na Europa. Nesta segunda, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou que apresentará em março uma proposta de "passaporte de vacinação". O documento permitiria a retomada das viagens no bloco europeu para pessoas imunizadas contra o coronavírus.

Bolsas de Nova York

Nos EUA o dia foi de projeções. Com os avanços na vacinação e na elaboração de um pacote para estímulos, o JP Morgan projeta crescimento de cerca de 7% no PIB dos EUA em 2021 e mais 7% em 2022. O banco também estima que o quadro levará a um repique da inflação, que pode subir à meta anual de 2% do Federeal Reserve (Fed, o banco central americano) "em algum momento do próximo ano". A perspectiva de avanço dos preços nos EUA tem levado os juros dos títulos do Tesouro americano para cima e impactado as negociações no mercado acionário, uma vez que as condições  de financiamento podem piorar.  

Em resposta, o Dow Jones fechou em alta de 1,95%, o S&P 500 subiu 2,38% e o Nasdaq avançou 3,01%. 

Bolsas da Ásia

O dia foi de indicadores na Ásia. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial do Japão subiu de 49,8 em janeiro para 51,4 em fevereiro, com a leitura acima de 50 apontando a primeira expansão no setor desde abril de 2019. O PMI industrial da China, por outro lado, recuou de 51,5 para 50,9 no mesmo período, tocando o menor patamar em nove meses e sugerindo crescimento mais fraco da manufatura. 

Em resposta, a Bolsa de Tóquio subiu 2,41%, enquanto a de Hong Kong teve alta de 1,63%. As chinesas de XangaiShenzhen tiveram ganhos de 1,21% e 2,42% cada. A Bolsas da Coreia do Sul e de Taiwan não operaram nesta segunda devido a feriados locais. Na Oceania, a bolsa australiana teve hoje seu melhor desempenho desde novembro, com alta de 1,74% em Sydney.

Bolsas da Europa 

Dados também foram divulgados na Europa. Na zona do euro, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial subiu de 54,8 em janeiro para 57,9 em fevereiro, segundo a IHS Markit, o que representa o ritmo de expansão mais forte em três anos. O PMI industrial da Alemanha, por sua vez, subiu de 57,1 no primeiro mês de 2020 para 60,7 no mês passado. Já o PMI da indústria britânica avançou de 54,1 em janeiro para 55,1 em fevereiro.  

Em resposta ao cenário positivo, o índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as principais ações do continente, encerrou com ganho de 1,84%, enquanto a Bolsa de Londres teve ganho de 1,62%, Paris, de 1,57% e Frankfurt, de 1,64%. Milão, Madri e Lisboa tiveram altas de 1,82%, 1,86% e 1,95% cada.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa hoje, após começarem a semana avançando, com o impulso da aprovação de estímulos fiscais nos Estados Unidos. No entanto, ao longo da sessão, o otimismo deu lugar à expectativa pela reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), na qual serão avaliados futuros ajustes na produção. O petróleo também sofreu influência da flutuação do dólar perante os pares.  

O petróleo WTI para abril fechou em baixa de 1,40%, cotado a US$ 60,64 o barril, enquanto o Brent para maio caiu 1,13%, a US$ 63,69 o barril. /MAIARA SANTIAGO, SERGIO CALDAS, IANDER PORCELLA E MATHEUS ANDRADE

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