Mercado interno eleva resistência à crise nos EUA, diz Meirelles

Mas, para presidente do BC, agravamento da situação afetaria todas as economias.

Guila Flint, BBC

10 de dezembro de 2007 | 16h50

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta segunda-feira em Tel Aviv que a diversificação dos mercados externos e o fortalecimento do mercado interno tornam o Brasil mais resistente a um agravamento da crise nos Estados Unidos do que no passado."Hoje apenas 17% das nossas exportações são para os Estados Unidos. Para a América Latina, exportamos 26% e para a União Européia, 25%."Meirelles também citou outros fatores positivos, como o tamanho das reservas em moeda estrangeira (US$ 180 bilhões), a queda da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto e a inflação na meta."E o mais importante, e ancorado em todo esse processo, é o aumento da renda e das arrecadações, com o aumento do emprego, da renda média e da demanda doméstica.""Assim, o Brasil se tornou menos dependente da demanda externa, particularmente americana, sem subestimar o impacto que uma crise nos Estados Unidos pode ter."O presidente do Banco Central, porém, admitiu que pode haver algum impacto."Se a crise nos Estados Unidos se agravar, evidentemente terá um impacto em todas as economias, pela importância dos mercados financeiros americanos."As afirmações foram feitas em entrevistas depois sua palestra na Conferência de Negócios de Israel para politicos, empresários e analistas locais e internacionais.Meirelles disse aos participantes do encontro que, de acordo com "expectativas de consenso do mercado", a inflação no Brasil não deve aumentar nos próximos dois anos."Entre as quatro economias emergentes que formam os BRICs, o Brasil tem o menor índice de inflação, 3,1% no ano passado e, segundo as expectativas de consenso do mercado, cerca de 4% em 2007 e nos próximos dois anos."O presidente do BC convidou Israel a fortalecer as relações de comércio e investimentos com o Brasil.Questionado por jornalistas após a palestra, Meirelles se recusou a falar sobre a recente decisão do Banco Central de manter as taxas de juros em 11,25% ao ano e sobre câmbio.Nesta terça-feira, Meirelles deverá ir a Jerusalém para um encontro com o presidente do Banco Central de Israel, Stanley Fischer - ex-vice-presidente tanto do Fundo Monetário Internacional como do Banco Mundial.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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