Mercado interno puxa crescimento do PIB do País, aponta BC

Segundo relatório de inflação, demanda interna foi a única responsável pelo expansão de 5,8% no 1º trimestre

FERNANDO NAKAGAWA E FABIO GRANER, Agencia Estado

25 de junho de 2008 | 10h26

O crescimento da economia brasileira tem sido determinado exclusivamente pelo mercado interno, aponta o Banco Central. No Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quarta-feira, 25, o texto cita que "na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a exemplo do que ocorre desde o primeiro trimestre de 2006, o crescimento foi ditado exclusivamente pelo mercado interno". Veja também:BC vê inflação acima do centro da meta em 2008 e 2009Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos   No primeiro trimestre de 2008, ante igual período de 2007, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou expansão de 5,8%. A contribuição da demanda interna foi positiva em 8,5 pontos, o que foi mais que suficiente para cobrir a participação negativa da demanda externa, de 2,6 pontos porcentuais. A contribuição da demanda interna foi a maior desde o segundo trimestre de 1995, enquanto o setor externo teve o pior desempenho desde o quarto trimestre de 1996. No relatório, o BC afirma acreditar que o "dinamismo da demanda doméstica deverá continuar, com alguma moderação, ao longo dos próximos trimestres". Esse quadro é, para a autoridade monetária, favorecido pelos diversos fatores de sustentação "que ainda atuam sobre a atividade econômica, como a expansão do crédito e do emprego". O ritmo de expansão da demanda interna preocupa o Comitê de Política Monetária (Copom) por ser responsável por grande parte da pressão inflacionária no País.  Governo No relatório, o BC avalia ainda que o consumo do governo deve continuar em expansão nos próximos trimestres. No documento, o texto afirma que "diante do quadro de vinculações orçamentárias vigente no País e das diretrizes das políticas públicas, é de se esperar que o crescimento do consumo do governo se mantenha nos próximos trimestres". O texto afirma, contudo, que deve ser observado algum arrefecimento do "ritmo muito forte observado no início do ano". O relatório também cita dados do IBGE que mostram que o consumo do Estado cresceu 5,8% no primeiro trimestre de 2008, na comparação com igual período de 2007. Esse comportamento foi, para o BC, "acompanhado por forte incremento das receitas públicas". Ainda sobre o comportamento do governo, o relatório diz que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deve expandir o ritmo do investimento público em infra-estrutura nos próximos meses. No documento, o texto afirma esperar o "aprofundamento do processo de implementação do PAC". A ação do Estado deve, na avaliação do BC, contribuir para a manutenção do desempenho benigno dos investimentos na economia brasileira.  Petróleo O relatório reforça também a avaliação de que há risco para a inflação associada ao comportamento dos preços internacionais do petróleo. "A elevação das cotações do barril do petróleo é fator de risco que, de um lado, se associa aos preços domésticos dos combustíveis e, de outro, ao impacto potencial sobre o preço doméstico de outros derivados", cita o texto na página 109.  O texto cita que, entre os riscos de impacto doméstico, estão a potencial inflação na cadeia do setor petroquímico, que afeta os fertilizantes, importante componente dos preços agrícolas. O texto também observa que o aumento global dos índices de inflação tem reduzido a contribuição positiva do setor externo no cenário inflacionário brasileiro. "A elevação consistente da inflação global, que tem se registrado desde o final do ano passado, tem levado à intensificação da alta dos preços de importados, reduzindo a contribuição do setor externo para o controle da inflação", cita o texto.

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