Mercado interno puxa indústria

Demanda doméstica cresceu 43,8% no ano, diz FGV

, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

A demanda interna tem sido o motor da recuperação da indústria desde dezembro, mês em que a produção bateu no fundo do poço. Entre dezembro e maio, o indicador da demanda interna por produtos industriais cresceu 43,8%, enquanto o indicador da demanda externa caiu 1,2%, apontam os dados da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas, descontados os efeitos sazonais .O indicador da demanda global, que inclui as demandas interna e externa, aumentou 37% no mesmo período. Para chegar a esses resultados, foram consultadas 1.075 indústrias. O indicador da demanda é construído a partir do porcentual de empresas que consideram a demanda forte menos o porcentual daquelas que acham a demanda fraca, acrescido de 100."A demanda interna está sendo o motor da recuperação e deve continuar nos próximos meses", diz o coordenador técnico da pesquisa, Jorge Ferreira Braga, ponderando que o ritmo de retomada ainda é lento.De acordo com a pesquisa, 6 dos 14 segmentos industriais que tiveram melhor desempenho entre dezembro e maio estão relacionados ao consumo doméstico. Nesse rol estão os minerais não-metálicos (insumos usados para a construção civil), metalurgia, material de transporte (que reúne a cadeia da indústria automobilística), vestuário e calçados e alimentos. Também são esses seis segmentos que apresentaram as melhores perspectivas de produção industrial para três meses entre maio e julho."A projeção de aumento de produção para esses setores está sendo favorecida pelo corte do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), a volta do crédito e as vendas de bens de consumo não-duráveis, como alimentos", afirma Braga.A indústria de alimentos detectou uma reversão na queda da produção a partir de março, com alta de 14,2% ante fevereiro, descontadas as influências sazonais. Em janeiro, a produção caiu 7% ante dezembro e voltou a cair 2% em fevereiro."A perspectiva é de que esse quadro tenha tido continuidade em abril e maio", diz o diretor do Departamento de Economia da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Denis Ribeiro. A previsão é de encerrar o ano com crescimento de 2% a 3%.O quadro se repete no caso do setor têxtil e de vestuário. "A realidade do segundo trimestre já é diferente, com ampliação do uso da capacidade das fábricas", conta o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Aguinaldo Diniz Filho. "A recuperação na indústria está se espalhando e esse movimento ficou mais consistente no segundo trimestre", observa Luiz Rabi, gerente de Indicadores da Serasa Experian. Em abril, 63% dos segmentos industriais tiveram crescimento na produção.

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