Mercado interno sustentou a economia no 1º tri, diz Mantega

Ministro da Fazenda destaca consumo das famílias e do governo e diz que economia já dá sinais de recuperação

Fabio Graner e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

09 de junho de 2009 | 12h04

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou nesta terça-feira, 9, que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do País no 1º trimestre foi melhor que o esperado pelo mercado. "Aliás ninguém acertou a projeção. Acho que só uma instituição acertou", disse. De acordo com ele, a demanda interna sustentou a economia nos três primeiros meses de 2009, evitando uma queda maior do PIB - que registrou contração de 0,8% ante o quarto trimestre.

 

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Mantega destacou, especialmente, o consumo das famílias e do governo, salientando que as medidas anticíclicas adotadas pela administração federal já surtiram efeitos. O ministro avaliou que o resultado mostrou capacidade de recuperação da economia brasileira e ressaltou que os números, divulgados nesta terça pelo IBGE, são "um olhar no retrovisor".

 

"A recuperação é lenta, vai aparecendo aos poucos. Não vamos ter um crescimento esfuziante nos próximos trimestres. Vamos gradativamente recuperar o crescimento que tínhamos antes", afirmou.

 

Ele disse, porém, que ainda será necessário muito esforço do governo para garantir um crescimento positivo do PIB em 2009. Segundo Mantega, para atingir a previsão do governo de crescimento de 1% neste ano, é preciso dar continuidade às políticas fiscal e monetária.

 

Ainda de acordo com ele, esse esforço é feito por meio de medidas anticíclicas e anticrise que o governo vem tomando para estimular o mercado interno e os investimentos. "Para se ter 1% de crescimento neste ano, não será tarefa fácil, mas é um desafio possível de ser alcançado", afirmou.

 

O ministro declarou também que é preciso que haja uma reconstrução de parte do crédito que faltou no primeiro trimestre. De acordo com Mantega, os bancos públicos estão liderando a expansão de crédito com taxas menores, mas ainda não é o ideal. "Está longe de ser o necessário para a economia", destacou.

 

Mantega disse que a expansão do PIB virá de forma gradual. Segundo ele, no segundo trimestre deve ser sentida uma melhora, deixando para trás os resultados negativos. Mas Mantega previu que o PIB do segundo trimestre, embora positivo, será modesto. O ministro disse que o terceiro trimestre será um pouco melhor, mas só no quarto trimestre, o PIB será satisfatório. "Devemos fechar o ano com a economia já em aquecimento", afirmou.

 

Investimentos

 

O ministro observou que a queda do PIB foi determinada pelo decréscimo dos investimentos da indústria. Segundo ele, é natural que haja recuo dos investimentos quando a atividade econômica está em queda. Isto porque, de acordo com ele, as empresas não vão investir se não têm demanda e se há capacidade de produção sobrando. Mantega lembrou que houve uma queima de estoques das empresas e que isso significa uma retomada gradativa da atividade econômica, o que deve levar à recuperação dos investimentos.

 

O ministro foi questionado sobre os problemas no setor de siderurgia e respondeu que o segmento está sofrendo com a queda na atividade econômica mundial, o que reduz as exportações. Mas ele destacou que o governo tem atuado em setores no mercado interno que elevam a demanda por aço, com a adoção das medidas de estímulo ao setor automotivo, linha branca e construção civil.

 

Copom

 

Mantega não quis comentar qual será o comportamento do Copom - na reunião que será iniciada nesta terça - em função da queda do PIB. Disse que, do lado da política fiscal, o governo continuará estimulando setores específicos que enfrentam dificuldades. O ministro não quis antecipar quais são esses setores.

 

Ele afirmou, porém, que não é só redução de IPI que estimula a economia. "Outras medidas podem ser adotadas e que os senhores conhecerão a seu tempo", afirmou em entrevista à imprensa. Mantega ressaltou que nunca fez projeções próprias do crescimento do PIB para o primeiro trimestre e reiterou que "o mercado inteiro errou".

 

"Não tínhamos informações concretas e, portanto, ficamos satisfeitos (com o resultado). O presidente Lula também ficou satisfeito porque mostra a capacidade de recuperação da economia brasileira", disse.

 

Texto atualizado às 13h02

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