Mercado: investidores atentos à Argentina

A Argentina leiloa hoje US$ 1,1 bilhão em Letras do Tesouro (Letes). A atenção dos investidores está voltada para essa operação. No Brasil, o dólar é a variável mais sensível à expectativa de altas taxas de juros que devem ser negociadas. A moeda norte-americana chegou a atingir R$ 1,9670 na máxima da manhã. Há pouco, estava cotada em R$ 1,9550 na ponta de venda dos negócios - alta de 0,77% em relação às últimas operações de ontem.O mercado acionário também é atingido pelo cenário negativo. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em leve alta de 0,04% no início da tarde. Em relação aos juros, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 18,500% ao ano, frente a 18,200% ao ano registrados ontem. Uma das formas para se ter uma idéia da expectativa dos investidores em relação à situação da Argentina é a diferença entre a taxa de juros paga pelos papéis argentinos e a taxa negociada nos títulos norte-americanos. Quanto pior a expectativa, maior a diferença. Nas últimas horas, porém, esse intervalo teve uma pequena redução atribuída a boatos de que a Argentina poderia receber um aporte de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para alguns analistas, seria uma forma de o país tranqüilizar o mercado.O correspondente da Agência Estado na Argentina, Vladimir Goitia, informa porém que não circulam no país informações consistentes sobre possível ajuda financeira à Argentina. O que se sabe é que o secretário de Finanças da Argentina, Mario Vicens, está nos EUA para contato com o FMI. O secretário estaria acertando a vinda da missão do fundo ao país em dezembro, quando serão discutidas as metas fiscais da Argentina.De todo modo, a Argentina segue gerando desconfiança nos mercados, sobretudo diante da capacidade do governo De la Rúa em aprovar e implementar as medidas necessárias para tirar o país da crise. No caso do leilão de hoje, o mercado não teme o fracasso da venda, mas teme que as taxas saiam salgadas demais. Os jornais argentinos estimam taxa de 15,5%ao ano a 17% ao ano para o título de um ano. No papel mais curto, de 91 dias, a taxa prevista é de 13%, muito acima dos 9,2% pagos no leilão de outubro.

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