Mercado já acha Copom conservador

O economista Francisco Petros da Associação dos Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) classificou a ata do Copom como "excessivamente preventiva e conservadora". Em entrevista ao Conta Corrente, da Globo News, Petros comentou o documento que prevê uma tendência de queda menos acelerada dos juros daqui para a frente: "É uma ata bastante conservadora", avaliou. "Trata-se de uma ata relativamente otimista e, lá pelos últimos parágrafos, ela tem uma menção de que, a partir de agora, a taxa de juros está se aproximando daquela que é projetada pelo mercado e, portanto, a política tende a ser mais gradual."O economista da Apimec destacou que a atual situação de recessão e desemprego não justificariam os temores apresentados no relatório contra a inflação de demanda: "Parece estranho que neste contexto de recessão, de alto desemprego e com uma baixíssima demanda existam temores inflacionários em função da demanda", frisou Petros. "Parece uma ata excessivamente preventiva, especialmente quando a taxa de juros de médio prazo - considerando o que é projetado no mercado futuro, bem como a inflação - está entre 11 e 12%, uma taxa de juros cavalar." "Conservadorismo conspirador"Francisco Petros afirmou ainda que apesar da tendência de alta inflacionária em setembro, boa parte desse aumento seria provocado pelos preços públicos: "A inflação dos chamados preços livres gravita por volta de 0,20% a 0,30%, bastante inferior ao índice cheio", opinou. "Esta não deveria ser uma justificativa nem para os temores e muito menos para a manutenção de uma política monetária excessivamente conservadora", salientou Petros. "Ser conservador hoje, num contexto tão difícil da chamada economia real, é na realidade bastante negativo e conspira contra o potencial de crescimento do País.""Reforma pífia"Diante da eventual possibilidade de a reforma tributária não passar no Congresso, levantada pelo comentarista George Vidor, Petros foi suscinto: "O mercado vai reagir mal, mas eu tenho a impressão de que ele vai esquecer rapidamente", previu o economista. "Porque esta reforma é muito distante daquilo que era necessário", sentenciou. "No ano passado, na prorrogação da CPMF, foi concedida apenas o prazo de um ano, com o apoio do PT, exatamente para que houvesse uma reforma mais profunda. E agora nós temos a prorrogação da CPMF por mais três anos e uma reforma extremamente pífia."

Agencia Estado,

26 de setembro de 2003 | 07h24

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