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Mercado já fala em freio também em 2012

Para analistas, projeção do governo para PIB não condiz com combate da inflação

Fernando Dantas/ RIO, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2011 | 00h00

Uma importante corrente do mercado financeiro já vê necessidade de que a freada na economia brasileira se estenda até o final de 2012. Esses analistas formam a corrente cética, que é majoritária, mas não unânime.

Uma visão bastante disseminada é a de que as projeções de crescimento do governo em 2011 e 2012 simplesmente não se encaixam com um combate efetivo da inflação, que está rodando no nível de 6% em 12 meses, próximo do teto do intervalo da meta, que é de 6,5%.

Aliás, há chance substancial de o teto ser rompido pela inflação em 12 meses ao longo deste ano (oficialmente, a meta só se aplica ao ano-calendário).

A previsão oficial de crescimento, que vinha sendo reiterada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, é de 5% em 2011 e de 5,5% em 2012. O governo, porém, já emite sinais de que está conformado com um pouco menos, dada a necessidade de intensificar o combate à inflação.

O problema é que, para aquela corrente de mercado, a economia teria de crescer bem menos em 2011 e 2012 para que a inflação voltasse ao centro da meta no próximo ano - uma expansão média do PIB no biênio de no máximo 4%, e talvez abaixo disso.

A razão, como explicou recentemente o economista Affonso Celso Pastore (e reiterou no seu artigo nesta edição do jornal, na página B-8), é que "a economia tem de crescer abaixo do seu potencial (nível que não pressiona nem para cima nem para baixo a inflação) para que a inflação ceda".

Como a maioria considera que o potencial está entre 4% e 4,5%, o PIB deveria rodar abaixo disso por vários trimestres para o IPCA migrar dos 6% ou mais em 12 meses para 4,5%.

O Itaú, por exemplo, prevê expansão do PIB de 4% em 2011 e de 3,8% em 2012. E mesmo isso pode não ser suficiente para trazer a inflação a 4,5% no próximo ano. As projeções do Itaú, porém, estão sendo revisadas.

Bradesco. Já o departamento econômico do Bradesco vê a economia em substancial desaceleração, e acha possível um crescimento de 4,3% em 2011 e 4,7% em 2012, com a inflação voltando para perto do centro da meta (4,5%) no ano que vem.

Ao contrário da corrente cética, o banco tem uma visão da atual conjuntura próxima à da equipe econômica.

O cálculo de PIB mensal do Bradesco fechou em -0,7% em janeiro, e o departamento econômico do banco, chefiado pelo diretor Octavio de Barros, já projeta zero de crescimento no primeiro trimestre de 2011.

Para o Bradesco, um ciclo total de aumento da Selic de 1,5 ponto porcentual (o que significa mais 1 ponto) e mais o equivalente a outro ponto porcentual em medidas prudenciais (exigências de mais capital para carteiras de crédito) e compulsórios, somados ao ajuste fiscal, fariam o trabalho necessário de contenção de demanda. No segundo semestre de 2012, já seria possível retomar a queda da Selic.

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