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Mercado já prevê déficit de R$ 158,8 bi este ano

Relatório Prisma Fiscal de julho mostra que a percepção de analistas sobre as contas públicas voltou a piorar

Idiana Tomazelli, Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - Com as propostas econômicas cada vez mais travadas no Congresso Nacional e em meio a questionamentos sobre o compromisso do governo com o ajuste fiscal, a percepção de analistas sobre a situação das contas públicas do País piorou mais uma vez.

O Relatório Prisma Fiscal de julho, divulgado ontem pelo Ministério da Fazenda, mostra que as expectativas de déficit em 2016 e 2017 ficaram ainda maiores – no caso do ano que vem, já muito próxima da meta negativa de R$ 139 bilhões.

De acordo com as previsões, o governo central (que reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) deve registrar este ano um déficit primário de R$ 158,860 bilhões, ainda pior que o resultado negativo de R$ 155,5 bilhões indicado no relatório anterior, de junho. A meta oficial permite um rombo de R$ 170,5 bilhões. Já em 2017, a estimativa é que o déficit chegue a R$ 138,578 bilhões, segundo os analistas.

Numa estratégia para contornar a deterioração, o governo tem buscado se aproximar de empresários e do mercado, tentando apresentar resultados do trabalho da equipe econômica. Em uma dessas investidas, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Carlos Hamilton Araújo, deve ir a São Paulo no próximo dia 26 para um encontro com economistas que participam do Prisma Fiscal, os mesmos que vêm apontando a piora das contas públicas.

A razão para as expectativas de um rombo cada vez maior está na avaliação das receitas, que descem um degrau a cada relatório, e das despesas, que seguem na direção oposta.

Arrecadação. Neste ano, os analistas esperam que a receita líquida some R$ 1,082 trilhão, um pouco menos do R$ 1,085 trilhão que esperavam em junho. A previsão de arrecadação também caiu, de R$ 1,275 trilhão para R$ 1,269 trilhão na mesma base de comparação.

Por outro lado, a estimativa para a despesa total em 2016 cresceu de R$ 1,228 trilhão para R$ 1,241 trilhão. Quando a perspectiva é 2017, a tendência é a mesma: alta nos gastos, queda nas receitas. O único ponto de melhora no relatório divulgado ontem foi a dívida bruta do governo geral em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Um dos principais indicadores de solvência de um País, o índice baixou levemente para 73,5% nas projeções de 2016. Antes, estava em 74,55%. No ano que vem, no entanto, a dívida bruta deve chegar a 78,2% do PIB, segundo os analistas.

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