Mercado já prevê inflação na meta

É a primeira vez desde 16 de setembro que a previsão fica no limite máximo de 6,5%

FERNANDO NAKAGAWA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2011 | 03h05

Diante dos sinais de que os preços têm subido menos que o esperado nas últimas semanas, analistas voltaram a trabalhar com a hipótese de que a inflação pode ficar dentro da meta em 2011. Pesquisa do Banco Central divulgada ontem revela que a estimativa para o IPCA em 2011 caiu de 6,52% para 6,5%, exatamente no limite máximo da meta determinada pelo governo.

Essa é a primeira vez desde 16 de setembro que o mercado prevê inflação na meta em 2011. A preocupação era crescente desde meados de agosto. Nesse período, a inesperada redução do juro acelerou o processo e todas as estimativas de preço passaram a apontar sistematicamente para cima.

Na pesquisa divulgada ontem, porém, a previsão para a inflação neste ano apresentou a primeira queda desde 12 de agosto. Para 2012, tendência idêntica: após sete semanas seguidas de aumento, a aposta para o IPCA caiu ligeiramente de 5,61% para 5,60%.

"Ainda é muito cedo para falar em reversão efetiva da trajetória da inflação. Mas o fato é que o cenário conta agora com a influência positiva do IPCA-15 menor que o previsto e também com a leitura de que a economia já roda em ritmo mais fraco que o imaginado, o que ajuda a reduzir as pressões sobre os preços", diz o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Perdendo força. Na semana passada, foi divulgado que o IPCA-15 - prévia do índice usado na meta de inflação - teve alta de 0,42% em outubro, abaixo da previsão do mercado de 0,45%. Alguns economistas chegaram a projetar alta de até 0,50%.

O número menor animou analistas, que encararam o dado como um sinal de que a remarcação de preços pode estar, finalmente, perdendo força.

Além disso, dados relativos à atividade econômica - como produção e emprego - têm apontado para desaceleração mais rápida que o imaginado originalmente. "Cresce a percepção de que a atividade econômica pode, inclusive, ter desempenho negativo no terceiro trimestre. Ou seja, parar de crescer", diz Rosa.

Os números da pesquisa Focus também apontam para a atividade mais lenta: a previsão de expansão da economia em 2011 caiu pela terceira semana seguida, de 3,42% para 3,30%. Para 2012, a aposta de crescimento recuou de 3,60% para 3,51%.

"Mesmo assim, ainda não é possível afirmar que o Banco Central acertou ao iniciar o processo de corte de juros em agosto. Ainda que o IPCA-15 tenha subido menos, há segmentos como o de serviços em que os preços seguem em forte tendência de aumento", diz o economista-chefe da SulAmérica. Nos serviços, a alta segue alimentada pelo aumento da renda e alavancada pelo crédito em expansão.

A LCA Consultores tem preocupação semelhante com os serviços. "A dinâmica da inflação corrente sugere que o Banco Central ainda continuará enfrentando bastante ceticismo em relação à aposta de convergência da inflação para o centro da meta em 2012", diz a consultoria em relatório aos clientes.

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