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Mercado já vê paridade entre euro e dólar

Com perda de 15% em três meses, moeda europeia é negociada a US$ 1,05; para analistas, paridade é questão de meses ou semanas

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2015 | 02h02

LONDRES - Poucos dias de atuação do Banco Central Europeu (BCE) na compra de ativos foram suficientes para determinar novo nível para a moeda única europeia. Após a queda de 6% em 11 dias de março e perda de 15% em três meses, o euro já é negociado a US$ 1,05 e analistas preveem que a paridade com o dólar americano é questão de "semanas ou alguns meses". Atualmente, a moeda já opera no menor patamar desde abril de 2003.

Analistas debatem "quando" e não "se" haverá paridade entre as duas das mais importantes moedas internacionais: o euro e o dólar. Até alguns meses atrás, prevalecia a expectativa de que a cotação equiparada poderia ser alcançada em algum momento no fim de 2015 ou em 2016. Mas esse quadro começou a mudar quando o BCE anunciou os detalhes do amplo programa que injetará 1,1 trilhão na economia para tentar tirar a zona do euro da crise, o chamado relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês).

"Temos uma combinação do dólar mais forte e do euro mais fraco diante das políticas monetárias divergentes", diz o economista-chefe da corretora de câmbio FxPro em Londres, Simon Smith. Para o analista, a recente queda do euro serve como "um empurrão rumo à paridade". O valor idêntico entre as duas moedas não é visto desde o fim de 2002. Nesses mais de dez anos, o euro sempre foi mais forte do que a moeda dos EUA. Por isso, há tanto simbolismo no fenômeno.

A divergência das políticas citada por Smith ocorre porque o BCE iniciou na segunda-feira a ação trilionária de afrouxamento das condições monetárias para tentar tirar a Europa do buraco criado pela crise, o que tem gerado deflação e economia estagnada. Ao mesmo tempo, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) está em outro momento econômico e se prepara para subir o juro em breve para conter a demanda, que ganha velocidade.

Troca. A resultante desse jogo de forças favorece a migração de dinheiro para os EUA. Essa transferência tenta abocanhar parte do juro maior que deve ser anunciado nos próximos meses pelo Fed. A operação parece ainda mais atrativa para o dinheiro depositado atualmente na Europa, onde parte dos títulos soberanos já opera com juro negativo. Com essa migração, investidores vendem os euros - por isso, o preço da moeda única cai - e compram dólares - o que acelera a alta da moeda americana.

O derretimento do euro parece agradar ao presidente do BCE. Em um evento em Frankfurt ontem, o primeiro discurso de Mario Draghi após o início da ação trilionária foi animado e otimista. Para ele, a desvalorização do euro, a queda do preço do petróleo e o início da ação do BCE estão por trás de previsões mais otimistas do próprio banco para o crescimento da economia europeia.

A linha de raciocínio de Draghi passa pela avaliação de que o euro fraco vai favorecer a exportação dos produtos europeus, que ficam mais baratos quando têm o preço convertido para outras moedas como o dólar. Além disso, o BCE entende que o euro fraco aumenta o preço dos importados e ajuda no combate à deflação. Isso tem como efeito colateral o favorecimento da compra de mercadorias europeias pelos consumidores europeus.

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