Mercado Livre cresce a um ritmo de dar inveja a chinês

O executivo carioca Stelleo Tolda, então com 31 anos, trabalhava no falecido Lehman Brothers, nos Estados Unidos, quando recebeu um convite de um ex-colega do curso de MBA na Universidade Stanford, na Califórnia, o argentino Marcos Galperín, para montar o braço brasileiro do site de comércio eletrônico Mercado Livre. Detalhe: a empresa havia sido lançada dois meses antes, em agosto de 1999, por Galperín, na Argentina. Se Tolda tinha alguma dúvida na ocasião sobre o acerto de sua decisão de aceitar a proposta de Galperín, ela durou pouco tempo. Maior plataforma de comércio eletrônico da América Latina, com atuação em 13 países da região e em Portugal, o Mercado Livre intermediou 29 milhões de transações, no valor de US$ 2,7 bilhões, em 2009. "Estamos obtendo um crescimento anual de 30%, ritmo que devemos manter nos próximos cinco anos", diz Tolda, que ocupa o posto de Chief Operating Officer do Mercado Livre.

Clayton Netz, clayton.netz@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Do total movimentado, ficaram nos cofres do Mercado Livre US$ 173 milhões, fruto das comissões pela venda de uma gama ilimitada de itens, que vão de celulares, equipamentos de informática e acessórios para automóveis, passando por roupas e animais de estimação, além das receitas geradas pelo Mercado Pago, uma ferramenta própria de pagamentos pela venda de anúncios. Segundo Tolda, 80% dos produtos comercializados são novos, oferecidos por clientes pessoas físicas e pequenas empresas. "Há uma divisão meio a meio na oferta", diz Tolda.

Tolda comanda um contingente de 1 400 funcionários, dos quais 400 estão baseados no Brasil, principal mercado do site. "O País representa a metade de todos os nossos números", afirma. Baseado nisso, ele acredita que há espaço para empresas como o Mercado Livre e seus principais concorrentes, a Lojas Americanas e o Buscapé, para crescer na região. Ele aposta, por exemplo, no crescimento do número de internautas: na América Latina, há cerca de 150 milhões de navegantes na web, para 550 milhões de habitantes. Isso representa menos de 40% da população, contra uma participação de mais de 70% nos Estados Unidos. "À medida que mais pessoas tenham acesso à banda larga, o número de internautas e de consumidores online deverá explodir", afirma. "É o caso do Brasil, onde para 65 milhões de internautas há perto de 17 milhões de clientes do comércio eletrônico."

Negociado na bolsa americana Nasdaq, o Mercado Livre tinha um valor de mercado de US$ 750 milhões em agosto de 2007, data de seu IPO. Exatos 11 anos depois, o valor da empresa, que conta entre seus acionista com o site de leilões E-Bay, triplicou para os atuais US$ 2,5 bilhões. Com 45 milhões de clientes cadastrados, o Mercado Livre quer mais do que dobrar de tamanho nos próximos cinco anos. A meta é chegar a 2015 com um volume de negócios de US$ 10 bilhões e uma receita operacional de US$ 500 milhões. "Nosso desafio é acompanhar o desenvolvimento tecnológico, sobretudo a utilização das redes sociais", diz Tolda. "Afinal, o mercado eletrônico vai acontecer, dentro ou fora do Mercado Livre."

CHAMADA ELETRÔNICA

Sky aposta na atendente Susi para atender clientes

A operadora de TV por assinatura Sky está apostando no atendimento telefônico automático para reduzir seus custos operacionais e aprimorar a qualidade das chamadas de alta complexidade. A Susi, como é conhecida a voz que atende seus clientes, resolve 30% do total de ligações recebidas pela operadora. A razão da automatização é que a maior parte das chamadas trata de demandas simples, como a compra de pacotes de jogos de futebol e pedidos de segunda via da fatura, que podem ser solucionadas pelo equipamento. Até o final de agosto, a meta da empresa paulista LM, que implantou o sistema na Sky, é de que a maior parte dos clientes da operadora passe a ser atendida por Susi - os casos mais complexos, como pedidos de instalação de novos pontos ou de cancelamento, ainda serão atendidos por humanos.

INFORMÁTICA

Kaspersky planeja dobrar faturamento no País

A Kaspersky Lab, empresa americana de softwares de combate aos chamados malwares, programas que se infiltram nos computadores para roubar dados, desenvolveu um plano de expansão para o Brasil, que prevê a duplicação do número de seus revendedores. Dona de um faturamento mundial de US$ 463 milhões no ano passado, a Kaspersky Lab quer dobrar sua receita no Brasil para cerca de US$ 11 milhões em 2010, com a ampliação do canal de vendas para mil parcerias. "Nosso foco são as grandes corporações", diz Alejandro Arango, vice-presidente de vendas para América Latina da Kaspersky.

ENERGIA ALTERNATIVA

Português EDP amplia rede de postos elétricos

O grupo português EDP vai inaugurar, na primeira semana de agosto, três postos de recarga elétrica na cidade de São José dos Campos (SP), área de atuação EDP Bandeirantes, sua distribuidora de energia elétrica. Com isso, sobe para 16 o número de postos elétricos instalados em um ano, dos quais 10 estão localizados em Vitória, a capital do Espírito Santo, e três em Guarulhos, na Grande São Paulo. Até o final deste ano, a previsão é chegar a 20 postos. "Queremos criar as condições para abastecer o mercado de veículos elétricos, quando estiver em expansão e houver uma frota significativa no País", diz Antonio Pita de Abreu, presidente da EDP.

IMPRESSÃO

Digipix aumenta produção em 25% com nova máquina

A Digipix, empresa paulista líder em impressão digital fotográfica no Brasil, acaba de adquirir a impressora Índigo 7500, da HP, a um custo de R$ 2 milhões. O equipamento, lançado em maio mundialmente pela empresa americana, é o primeiro do gênero importado para o País e vai aumentar em 25% a capacidade produtiva da Digipix, que faturou R$ 15 milhões em 2009. A Digipix, fundada seis anos atrás pelo economista Marco Perlman, ex-executivo da GP Investimentos, conta com a participação do fundo DGF Investimentos e pretende atingir uma receita de R$ 50 milhões anuais até 2014.

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