Mercado livre de energia passa por desaceleração

O mercado livre de energia elétrica entrou em ritmo mais lento nos últimos meses, após registrar crescimento acelerado no período que se seguiu ao racionamento de energia elétrica, entre 2002 e 2006. Em setembro, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal responsável pelo planejamento de longo prazo do setor, o segmento livre, em que os grandes consumidores podem negociar diretamente com os geradores ou comercializadores, representou 25,04% do consumo nacional. O segmento cativo, suprido pelas distribuidoras, registrou participação de 72,49%, enquanto a autoprodução, em que o consumidor é sócio numa planta de geração (como é o caso da Vale ou grupo Votorantim), somou 2,46% do total.O pico na participação do segmento livre foi registrado em julho, quando atingiu fatia de 25,70% no mercado total. Em termos absolutos, porém, o mercado livre continua crescendo, com o volume somando 7.942 gigawatts-hora (GWh) em setembro, o que representa variação de 6,08% em relação a setembro do ano passado. No mercado cativo, o total consumido atingiu 22.990 GWh, o que representa variação de 4,81% em relação a setembro de 2006. Na autoprodução, o consumo somou 781 GWh em setembro, com aumento de 5,59% em relação a setembro de 2006.O ritmo observado em setembro é bem inferior ao observado no ano passado, quando o mercado livre estava contabilizando acréscimos superiores a 1.500 GWh de consumo no intervalo de 12 meses. Em setembro de 2005, por exemplo, a EPE registrou consumo de 7.487 GWh, o que representou aumento de 1.406 GWh em relação ao observado em setembro de 2004. O ritmo mais lento resulta do aumento mais acelerado nos preços de referência de energia elétrica no mercado atacadista. Na sexta-feira, por exemplo, esses preços saltaram para R$ 212,20 por megawatt-hora (MWh), segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), os mais elevados para a região Sudeste/Centro-Oeste desde o final do racionamento de 2001 e 2002. Em relação ao mesmo período do ano passado, os novos preços significam aumento de 201,63% em três mercados (Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Sul) e de 1.154,14% no Nordeste.O aumento nos preços reflete a falta de chuvas este ano, especialmente na região Nordeste. Mantido o ritmo atual, o atual período está se configurando como o de maior seca no Nordeste, desde que o governo passou a acompanhar o volume de chuvas, em 1931.

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