Mercado londrino pessimista com a Argentina

Confusão, incerteza e pessimismo. Esses são os termos mais usados por analistas da City londrina, consultados pela Agência Estado, para definir as medidas econômicas anunciadas pelo novo governo argentino e as perspectivas do país no curto prazo. Até o final da semana passada ainda predominava um clima de certo alívio com a eleição de Eduardo Duhalde para a Presidência e o retorno de uma calma relativa às ruas do país. Mas nesta semana, as incertezas e lacunas que cercam o novo plano econômico e a manutenção do distanciamento do governo norte-americano voltaram a reforçar o temor de que a crise argentina ainda reserve episódios turbulentos para as próximas semanas. "O que podemos ver é um quadro muito precário, as informações sobre o novo plano econômico são ainda muito escassas", disse a analista Ingrid Iversen, do Rothschild Asset Management. "O governo argentino precisa apresentar uma proposta de política monetária, uma proposta orçamentária, mas é óbvio que vai precisar de mais tempo. E vem a pergunta: será que terá fôlego para isso?" Segundo ela, organismos internacionais, como o FMI, e investidores privados não vão colocar dinheiro no país enquanto não tiverem uma visão clara e positiva do rumo que a Argentina vai tomar. Iversen disse que todas as atenções estão voltadas para o mercado cambial. "A reabertura dos bancos, aconteça amanhã ou quando for, vai ser acompanha de muita tensão", afirmou. "E o peso argentino vai sofer muito, não há dúvida."Para o analista de um banco europeu com forte presença na América Latina, "tudo pode acontecer na Argentina, ninguém se arrisca a fazer previsões para o dia seguinte". Segundo ele, a prolongada confusão em torno das novas medidas econômicas tiveram o efeito de diminuir a possibilidade de elas darem certo. "O sistema bancário argentino está quebrado, com efeitos ainda mais prejudiciais para o setor corporativo, mas ninguém vai colocar dinheiro no país nesse clima de total insegurança", disse ele. Leia o especial

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