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Mercado mais cauteloso com Argentina

Ontem a tranqüilidade que reinava a respeito da Argentina cedeu frente ao noticiário. Por um lado, as negociações com os governadores das províncias mantêm-se num impasse. Ontem à noite, novamente, não se chegou a um acordo. E a ida de Cavallo aos Estados Unidos secretamente, sem a divulgação do objetivo da viagem, contribuiu para preocupações e boatos. A boa notícia é que a política de déficit zero está sendo cumprida. Ontem o governo argentino divulgou ter alcançado superávit orçamentário de US$ 124,7 milhões em setembro. O problema é que, sem o pacote de ajustes, não se sabe por quanto tempo a realização da meta se sustentará.Os governadores de províncias seguem recusando os cortes nos repasses de verbas da União em troca de negociações para a redução das taxas de juros e ampliação dos prazos das suas dívidas. Mesmo porque os bancos locais tampouco parecem aceitar esses termos, ainda que o risco de calote seja grande se a dívida não for reestruturada voluntariamente.A dívida da União, assim como as das províncias, cresce a níveis insustentáveis e a renegociação é essencial. Mas as garantias oferecidas por organismos multilaterais, de US$ 8 bilhões, são insuficientes para promover uma troca de títulos voluntária nas condições de que o país precisa sem perdas para os detentores dos papéis. O problema é que se houver prejuízo para os credores, as agências internacionais de classificação de risco já avisaram que considerarão a operação um calote, dificultando a obtenção de novos créditos.Viagem de Cavallo aos EUA gera preocupaçõesNa segunda-feira, o ministro da Economia argentino, Domingo Cavallo, viajou secretamente aos Estados Unidos, o que foi descoberto 24 horas depois. Ele deve retornar a Buenos Aires hoje, mas, até agora, o motivo da viagem não foi revelado. A demora na divulgação do pacote e o impasse nas negociações trouxeram apreensões ao mercado, e, com essa manobra de Cavallo, a boataria não demorou. Várias versões surgiram, especialmente a de que o ministro estaria buscando recursos adicionais para a renegociação da dívida. Falou-se também que ele estaria pressionando as matrizes dos bancos que operam na Argentina a aceitar a troca de papéis das províncias. As mais exageradas davam conta de que ele estaria discutindo um plano de dolarização, o que muitos analistas descartam, já que há muita discordância dentro da equipe econômica sobre esse assunto.Ainda mantém-se no mercado a opinião de que o governo pode contornar as dificuldades no curto prazo com um pacote duro e com algum sucesso nas negociações em curso. Isso manteria o compromisso do déficit zero, mesmo que essa aposta não se estenda para um prazo mais longo. Mas os últimos acontecimentos estão abalando a tranqüilidade dos investidores.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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