Mercado mantém cautela

A euforia do final da semana passada não se repetiu nessa segunda-feira. O mercado trabalhou com cautela e aguarda novos números da economia norte-americana para confirmar a expectativa de que a alta dos juros norte-americanos está realmente desacelerando a economia.Na próxima sexta-feira sai o Índice de Preços ao Consumidor (PPI). O Índice é considerado mais importante do que o nível de desemprego divulgado na semana passada, responsável pela forte alta nas bolsas. Exemplo disso foi a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas do setor de tecnologia -, que acumulou alta de 19% em apenas uma semana. Isso é um indício claro de que as turbulências ainda não terminaram. Vale destacar que a oscilação é o movimento forte para baixo, mas também para cima. O quanto ela é capaz de subir e cair rapidamente indica a volatilidade do mercado. Nos últimos dias, isso tem sido verificado com grande freqüência. Sinal de que o investidor precisa continuar cauteloso. Juros mantém tendência de queda No mercado de juros, o swap prefixado de um ano fechou pagando juros de 20,27% ao ano para uma base de 252 dias úteis, continuando a trajetória de queda nos últimos dias. Sexta-feira, título com a mesma base de comparação, pagou 20,42% ao ano.A taxa oscilou durante o dia entre a máxima de 20,49% e a mínima de 20,15%. A novidade é que o Tesouro Nacional pode retomar os leilões de títulos prefixados na próxima semana. Com a oferta de amanhã, o Tesouro completa cinco leilões apenas com títulos pós-fixados. Operadores também consideram que, se os indicadores norte-americanos continuarem positivos, o Copom poderá ousar e adotar um viés de baixa para a taxa de juros básica - Selic - na próxima reunião, em junho. Bovespa realiza lucros e registra poucos negócios A Bovespa fechou em queda de 1,23%. O volume de operações também foi muito baixo - R$ 565 milhões. Operadores ouvidos pela Agência Estado informaram que os investidores aproveitaram as altas consecutivas dos últimos dias para realizar lucros, ou seja, vender ações e colocar no bolso o rendimento dos últimos pregões.Mesmo o setor de telefonia, que vinha animado com a operações de troca de ações ordinárias da Telesp e Tele Sudeste Celular por recibos de ações (BDRs) da Telefónica, registrou poucos movimentos hoje. Para se ter uma idéia, na sexta-feira, o volume de operações nesse segmento foi de R$ 200 milhões. Hoje girou apenas R$ 43 milhões.Em Nova Iorque, a Nasdaq e o Dow Jones fecharam em alta. A bolsa eletrônica encerrou a sessão com alta de 0,22% e o Dow Jones ficou em 0,19%. Alguns analistas, como Edmar Bacha, do BBA em Nova Iorque, consideram o comportamento de hoje como um bom sinal. Isso porque acham perigoso o mercado americano continuar reagindo com exuberância aos indicadores econômicos dos Estados Unidos. O banco central norte-americano (FED) pode considerar isso um fator de risco. Nesse caso, o aperto nos juros poderia ser mais forte. Dólar fica no patamar mais baixo desde 26 de abril O dólar ficou hoje abaixo de R$ 1,80 e registrou a menor cotação desde o dia 26 de abril. Os motivos apontados pelos operados foi o fluxo cambial positivo, perspectiva de ingresso de dólares no País e sinais de desaceleração da economia norte-americana.Uma boa notícia foi a confirmação da Eletrobrás que captou US$ 300 milhões em uma operação de eurobônus (títulos que a empresa lançou na Europa), com taxas de 12% ao ano, para um período de cinco anos. De acordo com o Banco Central em abril, a taxa média das captações foi de 12,9% ao ano. O resultado acalmou ainda mais o mercado de câmbio. Esses recursos ainda não entram no País hoje, mesmo assim, a queda do dólar já considera a expectativa desse fluxo positivo. Além disso, a taxa foi considerada boa pelo mercado. Isso é ainda mais positivo devido ao grande volume de vencimentos de empresas no mês de junho. O resultado da Eletrobrás demonstra que os vencimentos poderão ser rolados e, assim, não haverá uma saída forte de moeda norte-americana. Com isso a pressão no dólar fica menor.O dólar oficial divulgado pelo Banco Central ficou hoje em R$ 1,7933 na ponta de venda, registrando queda de 0,94%, em relação ao fechamento de sexta-feira. Este valor é a média dos negócios do dia, e foi superior ao dólar de fechamento desta segunda-feira, que representa a média dos últimos negócios. Estes últimos negócios foram fechados a R$ 1,7920 com baixa de 0,55% em relação aos últimos negócios de sexta-feira.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.