Mercado mantém cautela em dia de leve recuperação

Hoje foi um dia de recuperação, apesar da retração dos mercados nesse período de férias de verão, no qual a concentração de feriados reduz muito o volume de negócios. Até o final do carnaval, não se espera uma retomada vigorosa, especialmente em função da estabilidade do cenário interno e da cautela gerada pelas incertezas na Argentina e nos Estados Unidos.O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de janeiro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ficou em 0,57%, dentro das expectativas do mercado. Conforme apurou o repórter Francisco Carlos de Assis, o professor de Economia da USP e coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo, disse hoje acreditar que, se o entrave para a queda de juros é a inflação, o Banco Central já terá espaço para iniciar os cortes ainda neste primeiro trimestre. Segundo ele, fevereiro e março deverão registrar deflação em São Paulo.Enquanto os investidores em Nova York continuam desconfiados da veracidade das informações divulgadas pelas empresas em seus balanços, as autoridades estudam reformas nas regulamentações contábeis. Depois do escândalo da Enron, a reação dos mercados tem sido de muita cautela. Mesmo com sinais de início de retomada da economia, as bolsas seguem em queda.Na Argentina, o pacote divulgado no final de semana só entra em vigor na quinta-feira, já que o feriado cambial e bancário foi prorrogado por mais um dia. O semi-congelamento dos depósitos foi flexibilizado, o que significa que a população terá mais dinheiro disponível para saque quando os bancos reabrirem. Para evitar uma disparada do dólar agora que o câmbio flutuante passa a valer para todas as operações, o governo proibiu os bancos de venderem moedas estrangeiras e limitou a compra a US$ 1 mil por pessoa, apenas nas casas de câmbio. A situação ainda é muito instável e a grande preocupação é sobre qual será a cotação do dólar na reabertura dos negócios. Alguns analistas falam em $3 pesos por dólar.O governo também enviou a proposta orçamentária de 2002 ao Congresso, mantendo vários cortes e prevendo mais recessão, embora a previsão de déficit público tenha caído e haja previsão de pagamento dos juros referentes a empréstimos junto a organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas há vários desafios pela frente, como a inflação, que em fevereiro já chega a 2,3%, e as perdas dos bancos com a diferença entre a pesificação das dívidas e depósitos em dólar, já que as dívidas seguem a paridade ($1 peso por dólar) e os depósitos, a taxa de $1,40 por dólar.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,4230, com queda de 0,12%. Os contratos de swap (troca) de títulos prefixados por pós-fixados com período de um ano fecharam o dia pagando juros de 20,30% ao ano, frente a 20,58% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,88%.A Bolsa de Valores de Buenos Aires não operou hoje e só deve reabrir na quinta-feira. Nos Estados Unidos, às 18h30, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - apresentava queda de 0,19%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - estava em queda de 1,06%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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