Mercado mantém previsão sobre juros, mostra pesquisa do BC

A discussão pública sobre o regime de metas de inflação não foi suficiente para levar as instituições financeiras consultadas na pesquisa semanal do Banco Central (BC) a elevarem suas expectativas de queda dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Em vez disso, os números da nova rodada da pesquisa, divulgada hoje, mostram mais uma vez a persistência na crença de que o corte da Selic na reunião deste mês terá a mesma dimensão dos 0,25 ponto porcentual de março, quando os juros recuaram de 16,50% para 16,25% ao ano. A mesma postura cautelosa pautou as projeções de juros para o fim deste e do próximo ano. Pela segunda vez consecutiva, as expectativas ficaram estáveis em 14% e 12,50%, respectivamente. As previsões de juros médio para o corrente ano, por sua vez, oscilaram de 15,20% para 15,16%, e as estimativas de 2005 variaram de 13,25 para 13,20% ao ano. IPCA As previsões de mercado para o IPCA em 12 meses à frente subiram pela terceira semana consecutiva e avançaram de 5,52% para 5,55% na pesquisa semanal do BC. Com a variação, a distância entre o porcentual projetado e a trajetória das metas (5,33%) aumentou de 0,19 ponto porcentual para 0,22 ponto porcentual. A partir da divulgação do IPCA de março, a trajetória das metas recuará de 5,33% para 5,25%, um porcentual 0,30 ponto porcentual menor que os 5,55% projetados na pesquisa divulgada hoje.A pesquisa registrou ainda um leve aumento das previsões para o IPCA de março de 0,42% para 0,43%, mesmo patamar das projeções divulgadas há quatro semanas. Para abril, as projeções de IPCA ficaram estáveis nos mesmos 0,41% do levantamento anterior, mantendo, com isso, uma previsão de pequeno recuo da inflação no mês em curso. As expectativas de IPCA para este e o próximo ano não se alteraram, e continuaram em 6% e 5%, respectivamente. Os dois porcentuais ainda encontram-se acima dos centros das metas de inflação para este (5,5%) e o próximo ano (4,5%). As expectativas de mercado para o reajuste dos preços administrados neste ano apresentaram a mesma tendência de estabilidade e ficaram nos mesmos 7,20% da pesquisa anterior. As previsões de aumento dos preços administrados em 2005 também não se alteram, permanecendo em 6% pela décima primeira vez consecutiva. Câmbio As projeções de mercado para a taxa de câmbio no final de 2005 recuaram de R$ 3,25 para R$ 3,21 em pesquisa semanal do Banco Central (BC). Em contrapartida, as estimativas de câmbio médio para o mesmo período ficaram estáveis em R$ 3,15. Para o fim do corrente ano, as previsões de mercado não se alteraram e permaneceram nos mesmos R$ 3,05 da pesquisa anterior. O valor estimado é superior ao câmbio de R$ 2,85 estipulado por alguns economistas como o necessário ao cumprimento da meta de inflação (5,5%) com juros de 14% no último trimestre do ano como projetado pelo mercado. No Relatório de Inflação divulgado na semana passada, o BC estimou que o IPCA fecharia o ano em 6,2% com juros de 14% no último trimestre e câmbio a R$ 3,07. A pesquisa divulgada hoje pelo BC mostrou ainda que as previsões de câmbio médio para este ano aumentaram de R$ 2,96 para R$ 2,97. As estimativas para a taxa de câmbio no fim do mês em curso permaneceram em R$ 2,92. Investimentos estrangeiros diretos As projeções de mercado para o fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) neste ano aumentaram de US$ 12,95 bilhões para US$ 13 bilhões. O ajuste foi o suficiente para deixar as previsões de mercado em patamar idêntico ao das estimativas oficiais do BC. As expectativas de IED para 2005, no entanto, ficaram estáveis em US$ 15 bilhões. As previsões de crescimento do PIB para este e o próximo ano também não se alteraram e permaneceram em 3,50% e 3,70%, respectivamente. Superávit em conta corrente As previsões de mercado para o superávit em conta corrente do balanço de pagamento deste ano aumentaram de US$ 400 milhões para US$ 1,2 bilhão. O valor é superior aos US$ 200 milhões estimados pelo próprio BC e ainda encontra-se abaixo de algumas previsões de superávit entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. Ao mesmo tempo, as estimativas de superávit da balança comercial neste ano aumentaram apenas US$ 240 milhões de US$ 24 bilhões para US$ 24,240 bilhões, um número próximo dos US$ 24 bilhões previstos pelo BC. A pesquisa identificou, ao mesmo tempo, uma redução das estimativas de mercado para o déficit em conta corrente de 2005 de US$ 2,50 bilhões para US$ 2,10 bilhões. As projeções de superávit da balança comercial para o mesmo período subiram, por sua vez, de US$ 21 bilhões para US$ 21,10 bilhões, com queda de US$ 3,14 bilhões em relação às estimativas para este ano. Relação dívida-PIBAs previsões de mercado para a dívida líquida do setor público em 2005 recuaram de 54,95% para 54,90% do Produto Interno Bruto (PIB). Com esta segunda redução consecutiva, o porcentual projetado ficou abaixo dos 55% do PIB estimados há quatro semanas. Para o corrente ano, as previsões contidas na pesquisa continuaram estáveis em 56,50% do PIB, abaixo das previsões do chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, de algo entre 57% e 57,50% do PIB. As previsões de superávit primário para este e o próximo ano também não mudaram, e prosseguiram nos mesmos 4,25% do PIB para ambos os períodos.

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