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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Mercado muito agitado com Argentina e EUA

Os mercados tiveram um dia extremamente nervoso, com várias más notícias vindas do exterior. A situação da Argentina agravou-se ainda mais, e o risco país voltou a bater novo recorde, chegando a 2.125 pontos. Instituições financeiras com títulos da dívida do país já anunciam medidas para atenuar o calote do país, visto como inevitável. Nos Estados Unidos, o governo anunciou que há grande probabilidade de um ataque terrorista coordenado de grandes proporções nos próximos dias. Somando-se isso aos incidentes com antraz e os parcos resultados da guerra no Afeganistão, a confiança do consumidor despencou.O governo argentino, organismos internacionais, Tesouro norte-americano, governadores de províncias e credores da dívida tentam enfrentar o impasse nas várias negociações que estão sendo conduzidas. É consenso que a Argentina está à beira do colapso e depende do sucesso da meta de déficit zero global nas contas públicas e reestruturação da dívida. Para tanto, precisa conseguir renegociar as suas obrigações a taxas de juros baixas, cortar repasses às províncias, e cortes drásticos em todas as esferas de governo. Ninguém está disposto a pagar a conta, que é alta, mas um calote desordenado pode acabar mais caro para todas as partes envolvidas. Frente às dificuldades, o risco país da Argentina chegou a 2125 pontos (leia mais no link abaixo).No final da tarde, veio um pequeno alento. Segundo informações não confirmadas, alguns governadores de províncias aceitaram o corte de repasses em troca da mediação da União para a renegociação de suas dívidas. Mas ainda é pouco, e sem pesada assistência financeira internacional não há como oferecer garantias suficientes para que a troca da dívida, de cerca de US$ 132 bilhões, seja feita de maneira amigável e voluntária, como quer o governo.Tensão também é grande nos EUAAutoridades norte-americanas divulgaram hoje que tiveram acesso a informações confiáveis de que estaria sendo planejado um ataque terrorista coordenado de grandes proporções, embora de natureza desconhecida. A ação seria executada a qualquer momento, possivelmente amanhã, durante as comemorações populares por todo o país do Halloween, dia das bruxas. A tensão é muito grande, especialmente depois dos seguidos casos de antraz das últimas semanas.A sociedade também já começa a apresentar sinais de desgaste com a guerra no Afeganistão. Há muitas críticas contra as mortes de civis e o sofrimento dos refugiados, enquanto Osama bin Laden continua intocado. Nesse cenário, foi divulgado hoje o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que apontou forte queda, passando de 97 pontos em setembro para 85,5 em outubro, uma indicação da gravidade da recessão em que os EUA estão entrando.A Votorantim e a companhia Vale do Rio Doce (CVRD), unidas em consórcio para o leilão da Companhia Paranaense de Energia (Copel), marcado para amanhã, anunciaram que não concorrerão com afinco, por falta de tempo para sua preparação. Assim, crescem as chances de que a empresa seja arrematada pela Tractebel, estrangeira que disputa a compra com a GP Participações. Isso significa que podem entrar ao menos R$ 5 bilhões (preço mínimo estipulado) em dólares no mercado, o que explica o comedimento do dólar nos últimos dias, apesar de toda a tensão no mercado. De qualquer forma, ainda está em vigor uma liminar suspendendo o leilão. Resta saber se o governo do Paraná será capaz de contornar as manobras judiciais dos opositores da privatização da Copel.BC divulga números positivosO Banco Central (BC) divulgou hoje números positivos sobre as contas públicas nacionais. Os destaques foram o superávit primário, que já supera a meta do governo para todo o ano de 2001, e a dívida pública, que cresceu muito acima do esperado, dada a emissão de títulos cambiais para controlar as altas do dólar. Embora tranqüilize um pouco o investidor quanto à capacidade de reação à crise internacional, a notícia não teve muita repercussão no mercado, dadas as fortes quedas do dia, puxadas pelo noticiário na Argentina e nos EUA.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,7230, com pequena queda de 0,04%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 23,600% ao ano, frente a 23,780% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 3,11%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 1,28%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,59%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 1,89%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

30 de outubro de 2001 | 18h42

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