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E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Mercado muito pessimista com Argentina

O mau sinal ontem foi dado pela renúncia do subsecretário de Finanças, Julio Dreizzen, alegando motivos pessoais. Fala-se que o próximo a sair seja o seu superior hierárquico, o secretário de Finanças da Argentina, Daniel Marx. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, diz que fica até o fim. A estratégia política não convence e o fim pode estar próximo se não vier ajuda externa. Ontem o risco país da Argentina atingiu o recorde histórico (e impressionante) de 2.013 pontos (leia mais a respeito no link abaixo)A situação política é difícil, e nem com fortes cortes orçamentários o governo conseguirá atingir a meta de eliminação do déficit, dados os juros de até 23% ao ano que inflam a dívida. Cavallo precisa cortar ao menos US$ 6 bilhões do orçamento do ano que vem se não houver novas quedas na arrecadação, o que não está descartado. Ele precisa reduzir os juros da dívida para cumprir a meta, mas os credores não querem pagar a conta sem garantias. Todos os sinais indicam que uma troca voluntária dos títulos das dívidas é cada vez mais difícil.Negociações não avançamO plano do governo era oferecer às províncias a renegociação de suas dívidas, reduzindo drasticamente os juros e ampliando prazos, em troca de um corte substancial nos repasses de verbas. Mas a operação não é bem recebida por fundos de pensão, que temem uma avalanche de processos na Justiça por parte de seus associados, nem pelos bancos, que exigem garantias. Os governadores também exigem garantias de que terão forte redução no serviço de suas dívidas, e as negociações foram interrompidas na sexta-feira pela falta de habilidade política de Cavallo na última reunião, que acabou em gritos e xingamentos. Ontem o presidente retomou as conversas pessoalmente.Os credores estrangeiros exigem o compromisso de déficit zero em todas as instâncias, o que a maioria dos governadores não considera factível, e a renegociação das dívidas das províncias. Sem isso, não aceitam reestruturar a dívida argentina com juros mais baixos. O governo, que não consegue vencer o impasse interno, anunciou que negociará com todos ao mesmo tempo. Mas as chances de sucesso são poucas, a não ser que o Tesouro dos EUA e organismos multilaterais decidam injetar mais dinheiro no país, garantindo a reestruturação da dívida.Enquanto isso, não há o que anunciar e o pacote de ajustes não vem, deixando os mercados muito tensos. Até na Argentina os investidores acreditam que a chance de ruptura aumenta, via calote. Muitos temem que essa saída, além de todas as dificuldades que trará, permitirá ao governo manter a paridade do peso com o dólar. Para analistas fora da Argentina, essa é a raiz da crise, e se for mantida, pode atrapalhar a recuperação do país.Leilão da Copel amanhãAmanhã será realizado o leilão de privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Três grupos concorrem e o preço mínimo foi fixado em cerca de R$ 5 bilhões. As esperanças de que a empresa seja arrematada por um grupo estrangeiro, com forte entrada de divisas, têm mantido o dólar em queda, mesmo com todas as turbulências. Para muitos analistas, mesmo com uma ruptura grave na Argentina, as cotações já refletem uma postura muito pessimista, e o choque aqui não deverá ser muito grande, especialmente se o Banco Central voltar a intervir no câmbio. É ver para crer.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

30 de outubro de 2001 | 08h27

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