Mercado não vê inflação na meta nem em 2012

Pesquisa Focus prevê IPCA de 5,18% no ano que vem, na segunda alta consecutiva (meta é 4,5%); para este ano, mercado aposta em taxa de 6,18%

Fabio Graner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2011 | 00h00

O mercado tem dado sinais mais nítidos de descrença na capacidade de o Banco Central colocar a inflação no centro da meta (4,5%) em 2012, como vem prometendo não só em seus documentos oficiais, mas também nos discursos de seus dirigentes.

De acordo com a pesquisa Focus, feita semanalmente pelo BC entre analistas do setor privado, a expectativa central para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu pela segunda semana seguida e atingiu 5,18%. Para 2011, houve pequena queda (a sétima consecutiva) e agora o mercado trabalha com uma inflação de 6,18%.

As elevações mais recentes nas perspectivas para o IPCA do ano que vem têm ocorrido em magnitudes relativamente reduzidas. O problema é que, independentemente disso, o movimento vai na direção contrária do que deseja o BC. Apesar de na atual gestão aparentemente terem um peso menor para as decisões da autoridade monetária, as expectativas de mercado ainda são consideradas importantes para o processo de controle da inflação.

É a tese da profecia autorrealizável, na qual, se os agentes acreditam que os índices de preços vão subir mais do que a meta, a inflação será efetivamente maior. Ao não conseguir nem sequer travar as expectativas em um determinado patamar e ainda conviver com previsões se distanciando de 4,5%, a vida dos integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) fica mais difícil, pois o próprio mercado cobrará mais juros para conter o pessimismo com a inflação.

Fatores como a incerteza sobre o real ritmo de desaceleração da atividade econômica brasileira, reajuste de 14% previsto para o salário mínimo em 2012, risco de novas altas de commodities são fatores que pesam para fomentar dúvidas no mercado sobre se o Banco Central será bem-sucedido.

O economista-chefe da Franklin Templeton Investimentos, Carlos Thadeu Filho, contesta, entretanto, esse pessimismo da maior parte do mercado financeiro. Na visão dele, o IPCA deste ano ficará abaixo de 6% e o de 2012, abaixo de 5%. Para o economista, a inflação já está em queda e não só por motivos sazonais - que refletem situações típicas de cada período -, mas também como reflexo dos ajustes que foram feitos para conter a economia brasileira.

Além disso, para trabalhar com um cenário mais otimista para os preços, Thadeu Filho considera um quadro externo mais negativo, com piora na situação europeia e movimento de queda, ao longo dos próximos seis meses, nos preços das commodities, que ajudaram a puxar a inflação no fim do ano passado e início deste ano.

Outras previsões. Evidência de que o mercado espera que a temporada de juros altos dure mais tempo, a projeção para a taxa Selic média em 2012 subiu de 12,45% para 12,50%, segundo a Focus, Para 2011, a expectativa para a taxa Selic média segue em 12,16%.

Para o fim deste ano, porém, o mercado continua esperando a taxa Selic em 12,50% e para o fim do ano que vem, em 12,25% ao ano. A previsão para a relação dívida/PIB em 2011 segue em 39,26% e para 2012, subiu de 37,98% para 38%.

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