Mercado nunca esteve tão dividido sobre decisão do Copom

Os analistas estão completamente divididos sobre a 96.ª reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que termina nesta quarta-feira. Dos 40 analistas ouvidos pela Agência Estado, 21 esperam a manutenção da taxa Selic em 16% ao ano, enquanto outros 19 acreditam que há espaço para um corte de 0,25 ponto porcentual. Nunca foi constatado um racha tão expressivo na pesquisa de projeções sobre o Copom. Na última quinta-feira, os mesmos 40 analistas foram ouvidos e, na ocasião, a divisão foi praticamente a mesma: 20 votos contra 20. Na semana passada, muitos analistas admitiam a possibilidade de mudança de projeção até esta terça-feira, mas apenas o economista-chefe do Sul América Investimentos, Newton Rosa, fez alteração de expectativa. Em vez de um corte de 0,25 ponto porcentual, ele passou a integrar o bloco dos que apostam na estabilidade do juro básico neste mês.Alguns analistas condicionavam a mudança ao resultado do CPI (índice de preços ao consumidor norte-americano), divulgado na última sexta-feira. A discrepância dos resultados do índice e do núcleo, que suscitou interpretações diversas, não ajudou o grupo. Os analistas manifestam desconforto com essa divisão tão forte do mercado.Pela manutençãoO grupo de defende a estabilidade da Selic insiste que o estresse do mercado continua presente. Sem um sinal consistente de que o nervosismo dos mercados esteja próximo do fim, o que faz com que as carteiras ainda estejam em processo de ajuste, esse grupo argumenta que o BC deveria optar pela cautela e manter os juros em 16% ao ano.Da última quinta-feira para esta terça, os defensores da estabilidade incorporaram dois novos argumentos: 1) o preço do barril do petróleo ultrapassou a faixa dos US$ 40, o que faz com que seja cogitado um aumento do preço dos combustíveis no mercado doméstico, pressionando a inflação; 2) a pesquisa Focus, divulgada pelo BC segunda-feira, já demonstrou alta da expectativa do mercado para a inflação deste ano e para a de 2005.Pela reduçãoEntre os 19 economistas que esperam um corte de 0,25 ponto porcentual, o que levaria a Selic para 15,75% ao ano, o argumento mais citado é o da solidez dos fundamentos macroeconômicos. Para esse grupo, a alta da taxa de câmbio, que vem se mantendo acima de R$ 3,10, não é justificativa suficiente para o BC optar pela interrupção da trajetória de queda do juro. A crise, para esses analistas, é passageira e deve ser superada com uma definição de uma expectativa majoritária para o comportamento do Fed.

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